Mundo
Malala Yousafzay e Kailash Satyarthi dividem o Nobel da Paz
Ativista paquistanesa e indiano venceram esta sexta-feira o prémio Nobel que distingue a luta "contra a supressão das crianças" e pelo "direito à educação".
O comité norueguês, responsável pela atribuição do Nobel da Paz, destaca a ação de Malala Yousafzay - com 17 anos, passou a ser a
laureada mais jovem de sempre -, pela sua luta "heróica" de
vários anos pelo direito à educação das mulheres "sob as mais perigosas
circunstâncias".
Elogia também a "coragem" de Kailash Satyarthi em honrar o legado de Mahatma Ghandi, através dos protestos pacíficos contra a exploração laboral e financeira das crianças.

Foto: Reuters
No anúncio feito esta sexta-feira por Geir Lundestad, secretário do Comité Norueguês do Nobel, refere a importância da atribuição conjunta de um prémio "a um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa", representando dois países rivais, juntos no objetivo comum de "combate ao extremismo".
Desde 2008, Malala Yousafzay começou a vida de ativista que não queria. Mas as circunstâncias de um país em guerra e a interdição à educação das raparigas no Paquistão levaram-a a proferir o primeiro discurso público, com apenas 11 anos: “Como se atrevem os taliban a retirarem-me o direito à educação?”.
A 9 de outubro de 2012, Malala era então atacada por um grupo radical, enquanto se deslocava de autocarro para a escola. O grupo rebelde já havia feito ameaças de morte à jovem ativista, que ao longo dos anos se destacou na luta pela igualdade de género no acesso à educação. Foi baleada na cabeça, esteve em coma induzido e as mazelas deste ataque são ainda hoje visíveis, mas ao fim de cinco meses de recuperação voltou à escola, no Reino Unido.
O atentado comoveu o mundo e deu-lhe visibilidade internacional. Desde então recebeu várias distinções, incluindo da União Europeia e das Nações Unidas, que instituiu no ano passado o "Dia Malala", data que homenageia a ativista e pretende sensabilizar o papel fulcral da educação na vida de todas as crianças.

Foto: Reuters
Menos reconhecido a nível internacional é o também laureado Kailash Satyarthi, mas nem por isso a sua ação tem passado despercebida ao longo dos anos. O jornal indiano Hindustan Times carateriza-o como "um cruzado incansável pelos direitos das crianças". Nasceu em 1954 em Madhya Pradesh, região no interior da Índia e vive atualmente em Nova Deli.
Fundou em 1980 a organização Bachipan Bachao Andolan, traduzida habitualmente para o inglês "Save the Children Movement". Esta foi a primeira campanha civil do território indiano contra a exploração das crianças, que promove a educação de qualidade e combate o tráfico de crianças. As campanhas de sensibilização chegam também aos consumidores, domésticos e internacionais, no sentido de evitar a compra de produtos cujo fabrico envolva mão-de-obra infantil.
Satyarthi é o sétimo indiano a ser distinguido com o Nobel da Paz, o primeiro desde Madre Teresa de Calcutá, em 1979.
Elogia também a "coragem" de Kailash Satyarthi em honrar o legado de Mahatma Ghandi, através dos protestos pacíficos contra a exploração laboral e financeira das crianças.
Foto: Reuters
No anúncio feito esta sexta-feira por Geir Lundestad, secretário do Comité Norueguês do Nobel, refere a importância da atribuição conjunta de um prémio "a um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa", representando dois países rivais, juntos no objetivo comum de "combate ao extremismo".
Desde 2008, Malala Yousafzay começou a vida de ativista que não queria. Mas as circunstâncias de um país em guerra e a interdição à educação das raparigas no Paquistão levaram-a a proferir o primeiro discurso público, com apenas 11 anos: “Como se atrevem os taliban a retirarem-me o direito à educação?”.
A 9 de outubro de 2012, Malala era então atacada por um grupo radical, enquanto se deslocava de autocarro para a escola. O grupo rebelde já havia feito ameaças de morte à jovem ativista, que ao longo dos anos se destacou na luta pela igualdade de género no acesso à educação. Foi baleada na cabeça, esteve em coma induzido e as mazelas deste ataque são ainda hoje visíveis, mas ao fim de cinco meses de recuperação voltou à escola, no Reino Unido.
O atentado comoveu o mundo e deu-lhe visibilidade internacional. Desde então recebeu várias distinções, incluindo da União Europeia e das Nações Unidas, que instituiu no ano passado o "Dia Malala", data que homenageia a ativista e pretende sensabilizar o papel fulcral da educação na vida de todas as crianças.
Foto: Reuters
Menos reconhecido a nível internacional é o também laureado Kailash Satyarthi, mas nem por isso a sua ação tem passado despercebida ao longo dos anos. O jornal indiano Hindustan Times carateriza-o como "um cruzado incansável pelos direitos das crianças". Nasceu em 1954 em Madhya Pradesh, região no interior da Índia e vive atualmente em Nova Deli.
Fundou em 1980 a organização Bachipan Bachao Andolan, traduzida habitualmente para o inglês "Save the Children Movement". Esta foi a primeira campanha civil do território indiano contra a exploração das crianças, que promove a educação de qualidade e combate o tráfico de crianças. As campanhas de sensibilização chegam também aos consumidores, domésticos e internacionais, no sentido de evitar a compra de produtos cujo fabrico envolva mão-de-obra infantil.
Satyarthi é o sétimo indiano a ser distinguido com o Nobel da Paz, o primeiro desde Madre Teresa de Calcutá, em 1979.