Mamdani promete combate eficaz contra o antissemitismo em Nova Iorque
O presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, garantiu sexta-feira que pretende "combater eficazmente" o antissemitismo, após ter revogado dois decretos executivos que motivaram críticas do Governo israelita e apreensão de grupos judaicos locais.
Como um dos seus primeiros atos como presidente da câmara, Mamdani recusou renovar dois decretos executivos assinados pelo ex-presidente da câmara Eric Adams, um que adotava uma definição ampla de antissemitismo e outro que proibia os funcionários da cidade de participarem no movimento de boicote, desinvestimento e sanções contra Israel.
Durante uma conferência de imprensa não relacionada com o assunto, Mamdani prometeu hoje proteger os judeus nova-iorquinos, mas não entrou em muitos detalhes sobre os motivos da revogação dos decretos, de acordo com o portal de notícias Politico.
"A minha administração será também marcada por um governo municipal incansável nos seus esforços para combater o ódio e a divisão, e demonstraremos isso combatendo o ódio em toda a cidade", vincou.
"Isto inclui combater o flagelo do antissemitismo financiando eficazmente a prevenção de crimes de ódio, celebrando os nossos vizinhos e praticando uma política de universalidade", acrescentou.
Quanto à definição de antissemitismo adotada por Adams, que foi promulgada pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, Mamdani observou que muitas organizações judaicas da cidade não concordam com a interpretação, que, por exemplo, equipara algumas críticas às ações de Israel ao antissemitismo.
Mamdani apoiou ele mesmo o movimento de boicote, desinvestimento e sanções contra Israel, tornando a sua decisão de revogar uma ordem executiva que o proibia no governo municipal algo previsível, apontou o Politico.
Ao assumir o cargo na quinta-feira, Mamdani teve de analisar anos de decretos executivos da era Adams, optando por renová-los, revê-los ou revogá-los.
O novo presidente da câmara optou por anular todos os decretos executivos assinados depois de Adams ter sido acusado de acusações federais de suborno e a motivação das suas ações no cargo ter passado a ser questionada.
Entre as exceções, está um decreto para estabelecer o gabinete do presidente da câmara para o combate ao antissemitismo e outro que proíbe protestos a uma certa distância dos locais de culto.
Na sexta-feira, um conjunto de grupos judaicos, incluindo a UJA-Federation de Nova Iorque, a secção nova-iorquina do Conselho de Relações da Comunidade Judaica e o Conselho de Rabinos de Nova Iorque, divulgaram um comunicado argumentando que as ações de Mamdani eliminaram duas proteções significativas contra o antissemitismo, embora o tenham elogiado por manter os outros dois elementos da política de Adams.
Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel acusou o novo presidente da Câmara de Nova Iorque de lançar "gasolina antissemita numa fogueira"
O Governo de Israel já tinha demonstrado a antipatia pelo democrata Mamdani quando este venceu as eleições municipais de Nova Iorque, em 4 de novembro, ocasião em que vários ministros israelitas --- sobretudo os mais radicais --- acusaram-no de ser um "islamista declarado", antissemita e "inimigo de Israel".
Durante a sua campanha eleitoral, o democrata demonstrou o seu apoio ao povo palestiniano e criticou o Governo de Benjamin Netanyahu, que foi acusado de cometer genocídio no enclave pela comunidade internacional e por organizações de defesa dos direitos humanos de renome, incluindo duas israelitas.
Mamdani, agora o 112.º presidente da Câmara da cidade de Nova Iorque, é, aos 34 anos, o segundo presidente da câmara mais jovem da história da cidade, o primeiro de ascendência sul-asiática e também o primeiro muçulmano.
Prestou juramento usando o Alcorão, que estava na posse da sua esposa, Rama Duwaji.