Manifestação da oposição em São Petersburgo termina em confrontos
Forças da oposição a Vladimir Putin, reunidas na organização "Outra Rússia", realizaram a Marcha dos Discordantes em São Petersburgo, terra natal do presidente russo, não obstante a proibição das autoridades locais.
Forças policiais começaram a deter dirigentes da oposição ainda antes do início da manifestação. Eduard Limonov, líder do Partido Nacional-Bolchevique, foi conduzido para uma esquadra da polícia, tendo sido acusado de "bloqueio de meios de transporte".
Porém, cerca de seis mil manifestantes, segundo dados da oposição (a polícia fala em três, quatro mil), começaram a confluir de manhã para a praça junto da estação ferroviária Oktiabrski, no centro de São Petersburgo. Depois, dirigiram-se pela Avenida Nevski, a principal artéria da segunda cidade russa, em direcção do Palácio Smolni, sede do governo de São Petersburgo.
Na véspera, a governadora da cidade, Valentina Matvienko, declarara aos jornalistas que as autoridades "não irão permitir essa manifestação".
Agentes de segurança, através de megafones, apelavam aos manifestantes para desfilarem apenas pelos passeios, a fim de permitir a circulação automóvel, mas a resposta foi: "Esta cidade é nossa!", "Rússia sem Putin!" e "Tirem as mãos dos manifestantes!".
Foi então que a polícia de choque entrou em acção para travar o avanço dos manifestantes, mas estes conseguiram romper o cordão policial. Durante os confrontos, a polícia deteve, segundo fontes oficiais, mais de 50 pessoas, entre elas Olga Krusonova, dirigente da Frente Cívica Unida, e Serguei Guliaev, deputado do parlamento municipal. Porém, a oposição fala em "centenas de detidos".
As forças de segurança acabaram por travar os manifestantes a meio caminho do Palácio Smolni, o que foi considerado um "êxito" pelos dirigentes da oposição.
Garri Kasparov, antigo campeão do mundo de xadrez e um dos organizadores da "Marcha dos Discordantes", declarou que se tratou da "maior manifestação de protesto contra a política de Vladimir Putin", qualificando esta iniciativa como "um êxito colossal da oposição".
"Este êxito é explicado pelo facto de as disposições em São Petersburgo serem mais radicais de que em Moscovo, que não é por acaso considerada a cidade mais rica da Rússia" - considerou Kasparov.
O antigo campeão do mundo de xadrez considerou também que o afastamento, pelas autoridades, do Partido Iabloko, organização da oposição liberal ao Presidente Putin, das eleições municiais em São Petersburgo, marcadas para 11 de Março, contribuiu também para a mobilização de manifestantes descontentes com a política interna do Kremlin.
Na manifestação esteve também presente Mikhail Kassianov, ex- primeiro-ministro russo, e um dos mais prováveis candidatos da oposição liberal nas eleições presidênciais no país, marcadas para 2 de Março de 2008.