Manifestação pela democracia no aniversário da transferência do território para a China
Macau, China, 20 Dez (Lusa) - Cerca de 3.500 pessoas, segundo a organização, ou 1.500 segundo a polícia, manifestaram-se hoje em Macau por reformas democráticas e defesa dos direitos dos cidadãos, naquele que foi o terceiro protesto popular de 2007.
Organizada pela Associação Novo Macau Democrático, a manifestação superou as expectativas iniciais dos promotores que apontavam para uma participação de cerca de 1.500 pessoas, mas esteve ainda longe da manifestação do passado dia 01 de Outubro que terá reunido entre cinco a seis mil pessoas contra as novas regras do trânsito rodoviário.
Entre a zona norte da cidade, quase junto à fronteira com a China, e o centro, em frente do Palácio da Praia Grande, a sede do Governo local, onde foram entregues cartas ao executivo, os populares foram gritando palavras de ordem em chinês em defesa de eleições directas para os principais cargos políticos locais - chefe do executivo e deputados. E criticaram diversos aspectos políticos da acção governativa, numa cidade pouco habituada a protestos nas ruas.
Da saúde à educação, passando pelas reformas políticas e pela defesa do património, muitos populares, em "estilo carnavalesco", mascararam-se para destacar o seu protesto. Um manifestante "vestiu-se" de Farol da Guia para apelar ao executivo o fim das construções de edifícios altos em volta daquele monumento classificado como Património Mundial da UNESCO, e deixe que o Farol, o primeiro a erigido na Ásia, possa ser visto de vários pontos da cidade.
A regulamentação do artigo 23 da lei Básica, referente aos crimes de traição à pátria chinesa, de sedição, secessão ou subversão contra o governo popular central, esteve também em destaque nos protestos, tal como a corrupção e a alegada falta de transparência do governo.
Ao longo dos cerca de dois quilómetros e meio do protesto, a presença policial foi sempre sentida, mas desta vez de forma menos visível, já que apenas alguns polícias de trânsito e uns quantos agentes à paisana acompanharam a manifestação que registou apenas uma pequena altercação entre manifestantes e polícias.
Segundo Ng Kuok Cheong, líder do Novo Macau Democrático, foi imediatamente resolvida e não terá passado de um mal-entendido.
No final da manifestação, os organizadores do protesto explicaram que a carta entregue ao executivo apela à definição de um calendário de reformas políticas rumo à democracia plena e à escolha dos líderes pelos cidadãos, numa altura em que não é conhecido o plano prometido pelo executivo para o segundo semestre deste ano e quando o Novo Macau Democrático aponta 2019 como meta para as eleições directas e universais locais, embora numa aplicação gradual.
A manifestação de hoje, quando passam oito anos da transferência da Administração Portuguesa para a China, terminou no Centro Naútico da Praia Grande com manifestantes e organização a promoverem uma troca de ideias sobre os objectivos definidos para o protesto.
JCS.