Mansão de oligarca russo invadida por ocupas que queriam acolher refugiados

Um grupo de manifestantes invadiu e ocupou, na segunda-feira, a mansão de luxo do oligarca russo Oleg Deripask, em Londres. Pertencentes a um movimento anarquista, os ocupas penduraram uma bandeira ucraniana e cartazes contra Vladimir Putin e a invasão à Ucrânia. A polícia foi chamada ao local e acabou por deter quatro pessoas.

Inês Moreira Santos - RTP /
Joshua Bratt - EPA

“Vocês ocupam a Ucrânia, nós ocupamo-vos”, proclamavam os cinco ocupas, pertencentes ao movimento anarquista “London Makhnovists” (os Makhnovistas de Londres, traduzido do inglês) - nome inspirado no anarquista ucraniano Nestor Makhno, que lutou contra o Exército Branco russo entre 1917 e 1923.

De acordo com a imprensa britânica, a casa de luxo pertencia ao oligarca russo Oleg Deripask e localiza-se em Belgrave Square, uma das zonas mais cara da capital britânica. A mansão em Londres do aliado de Vladimir Putin tem sete quartos, um cinema, um ginásio e ainda banho turco – espaço que os ocupas queriam que passasse a servir para acolher deslocados de guerra.

“Esta mansão servirá de centro para refugiados para apoiar ucranianos e pessoas de todas as nações e etnias”, argumentaram os invasores da residência num comunicado, citado pelo Guardian. “Ao ocupar esta mansão, queremos mostrar solidariedade com o povo da Ucrânia, mas também com o povo da Rússia que nunca concordou com essa loucura”.



“Estamos a exigir que esta propriedade passe a pertencer aos refugiados ucranianos. As suas casas foram destruídas e este tipo [Oleg Deripaska] apoiou a guerra. Ele sabia que a guerra estava para começar, mas não disse nada. O seu silêncio é violência”, disse ainda um dos manifestantes aos jornalistas durante o protesto, na segunda-feira.



Os ativistas penduraram faixas na fachada da casa, onde se liam frases com Os manifestantes colocaram faixas na fachada da casa, onde se podem ler frases como “Esta propriedade foi libertada” e “Putin, vai-te f****”.

Para os manifestantes, “isto não é uma ocupação comum”, mas sim a “libertação de propriedade”.
Polícia expulsa e prende ocupas
A casa foi invadida durante a madrugada de segunda-feira, tendo a Polícia Metropolitana de Londres só sido chamada horas depois por se tratar de uma zona da cidade onde estão sediadas várias embaixadas.

Mas a operação de retirada dos ocupas da mansão do oligarca russo demorou horas, com a polícia sem conseguir entrar no edifício e os ativistas a manifestar-se na varanda, recusando-se a sair. Os manifestantes alegavam que só saíam quando o presidente russo parasse a guerra e que desciam da varanda se a polícia garantisse que não os prendia.

“Se os agentes quiserem aceitar a nossa proposta, descemos imediatamente”, diziam. “Não há motivo para sermos presos por assalto. Estamos aqui para protestar”.

Ao fim de várias horas, quase no final do dia de segunda-feira, a polícia viu-se obrigada a recorrer ao uso de um guindaste para convencer os ocupantes a descer pelo seu próprio pé. Os quatro manifestantes acabara por ser detidos e, após serem interrogados, libertados com uma advertência.

Oleg Deripaska foi o fundador da gigante russa de alumínio Rusal e tem uma participação na anglo-russa En+ Group, e supõe-se que detenha mais de dois mil milhões de libras e um portefólio de mansões multimilionárias no Reino Unido. É um dos oligarcas visado nas sanções impostas pelo Governo britânico, sendo que nos Estados Unidos é alvo de medidas restritivas desde 2018 pelas suas ligações ao Kremlin. Nos primeiros dias da guerra na Ucrânia, contudo, o oligarca apelou ao fim do conflito.
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