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Manuscritos de Chopin depositados em arquivo do "fim do mundo" no Ártico
A Polónia vai enviar nesta quinta-feira cópias digitais dos manuscritos e cartas do célebre compositor Fryderyk Chopin para um arquivo de alta segurança situado no interior de uma antiga mina de carvão no arquipélago norueguês de Svalbard.
O Instituto Nacional Fryderyk Chopin, com sede em Varsóvia, adiantou que o material será colocado no Arquivo Mundial do Ártico, em Longyearbyen, uma instalação por vezeso apelidada de "Arquivo do Fim do Mundo", porque foi concebida para preservar registos vitais durante séculos nas condições naturalmente estáveis do Ártico.
A cerimónia de entrega nesta quinta-feira quinta-feira vai incluir outros depositantes e representantes da UNESCO.
Está ainda previsto um recital de Chopin pelo pianista Krzysztof Wierciński.
Marcin Konik, chefe do departamento de informação científica do instituto, afirmou que o depósito marca um passo no sentido de salvaguardar o património cultural através da digitalização e da preservação a longo prazo.
"A Polónia vai juntar-se ao grupo de países que protegem de forma abrangente o seu património cultural através da digitalização e do arquivamento a longo prazo", afirmou.
O arquivo, lançado em 2017, armazena dados nas profundezas do subsolo numa mina desativada, perto do Cofre Global de Sementes de Svalbard, o mais conhecido armazém de reserva de sementes de plantas do mundo.
O Tratado de Svalbard de 1920 designa o arquipélago como território desmilitarizado, o que os responsáveis do arquivo consideram uma camada adicional de segurança.
Konik sublinha a importância crescente do arquivo, "especialmente face à atual turbulência geopolítica", uma vez que cada vez mais instituições culturais e outras organizações procuram cópias de segurança externas para se protegerem contra a hipótese de perda.
Este será o segundo depósito do instituto no Arctic World Archive.
Em 2024, foi colocado um suporte de dados contendo cópias digitais de manuscritos de música de Chopin selecionados do Museu Fryderyk Chopin em Varsóvia, juntamente com outros depósitos polacos, incluindo obras dos autores vencedores do Prémio Nobel Wisława Szymborska e Olga Tokarczuk.
Desta vez, o instituto depositará nove suportes que contêm as restantes cópias digitais dos manuscritos de Chopin, bem como a correspondência do compositor. Os originais estão guardados no Museu Fryderyk Chopin.
O depósito incluirá também os resultados de um projeto da União Europeia, liderado pelo instituto, para digitalizar e fornecer acesso livre a um património musical polaco selecionado, incluindo manuscritos e música impressa de bibliotecas, arquivos e museus polacos.
Os materiais provêm de instituições como a Sociedade Musical de Varsóvia, o Arquivo do Capítulo da Catedral de Wawel, o Museu Czartoryski, na cidade meridional de Cracóvia, e a Biblioteca de Gdańsk da Academia Polaca de Ciências, na costa do Báltico.
Os ficheiros estão a ser armazenados em piqlFilm, um suporte de película ótica concebido para arquivo a longo prazo.
O instituto descreve-o como uma forma avançada de microfilme que armazena dados tanto em formato digital como em formato visual legível por humanos, com o objetivo de manter os registos acessíveis mesmo que as tecnologias atuais se tornem obsoletas.
rt/gs / 26 fevereiro 2026 09:15 GMT
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP