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Marcelo e o "bacalhau" que apanhou Trump de surpresa
Falanges de aço e apertos de mão autoritários têm sido a marca de água de Donald Trump nos encontros com outros líderes mundiais. O presidente norte-americano, líder do mundo livre, parece fazer questão de assumir a posição de macho-alfa logo no arranque dessas reuniões, num recado para o interlocutor mas também para o resto da matilha, as potências mundiais concorrentes dos Estados Unidos. Mas a história foi outra quando recebeu Marcelo Rebelo de Sousa à entrada da Casa Branca.
O presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido na Casa Branca pelo presidente Donald Trump a meio da semana. Foi, como se esperava que fosse, um encontro descontraído entre o líder do gigante americano e o representante máximo de um pequeno país europeu, aliado histórico de Washington e primeira nação na entrada para o Velho Continente, com um valor estratégico que foi já de valor inestimável para os Estados Unidos; graças à base da Lajes, nos Açores.
A referência pode não passar de um fait-divers. Poderia, ou não fosse o aperto de mão em modo tenaz parte fulcral da gramática gestual usada por Donald Trump em todos os seus encontros com os líderes mundiais.
Da conversa aberta aos jornalistas percebemos que Marcelo Rebelo de Sousa não deixou de ser quem é: o presidente dos afectos. Falou da velha aliança entre os dois países, do vinho Madeira com que os pais fundadores da América brindaram no Dia da Independência e, claro, de Cristiano Ronaldo.
A cadeia de televisão RT (anteriormente designada Russia Today) também estava atenta ao encontro de quarta-feira na Casa Branca. O canal russo varia muito o seu jornalismo, vai do mais pesado ao mais ligeiro, e no encontro Marcelo-Trump destaca hoje o aperto de mão no momento em que o presidente português era recebido pelo americano à entrada para a Casa Branca. Chamou-lhe “Aperto de mão de macho-alfa: o presidente português num aperto de mão a Trump e à sua autoridade”.
Alpha male handshake: Portuguese President shakes Trump’s hand and his authority https://t.co/zgSdJtPQAI pic.twitter.com/e8Leq7dqTz
— RT (@RT_com) 29 de junho de 2018
A referência pode não passar de um fait-divers. Poderia, ou não fosse o aperto de mão em modo tenaz parte fulcral da gramática gestual usada por Donald Trump em todos os seus encontros com os líderes mundiais.
Os seus apertos de mão chegaram a ser cronometrados, classificados, a coreografia analisada, uma espécie de hermenêutica que procurou nas mãos a leitura de destinos políticos e alianças internacionais. É uma marca de água que vem marcando a diplomacia do presidente norte-americano, que procura em todas as circunstâncias evidenciar essa posição de macho-alfa agora atribuída pela RT ao presidente dos afectos.
São conhecidas as imagens caricatas do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, quando se viu nessas circunstâncias.
Marcelo Rebelo de Sousa é um antigo líder político, professor universitário e um dos maiores especialistas portugueses em Direito. Como Trump, é um homem que domina a televisão e a linguagem dos media, tendo-se mantido como o mais importante comentador em Portugal durante anos a fio. Mas é também um desportista nato, nadador compulsivo, diário. Uma rotina que o manterá em forma e lhe permite uma agenda quase imparável. Alguma destas características permitiu ao presidente surpreender o dito líder do mundo livre.