Marcelo em Díli. "Emoção muito forte" em visita ao cemitério de Santa Cruz

por RTP

Foto: António Cotrim - Lusa

O presidente da República, que se encontra em Díli para as comemorações dos 20 anos da restauração da independência de Timor-Leste, deslocou-se esta quinta-feira ao cemitério de Santa Cruz, onde evocou o massacre ali perpetrado em 1991 por forças indonésias.

"Quando nós aqui chegamos, aqueles mais velhinhos que recordamos o que se passou, temos uma emoção muito forte, que é ver o local onde tudo se passou", disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

O presidente português fala de “respeito, admiração relativamente à coragem deste povo e orgulho”, de uma noção de que houve algo que não correu bem na descolonização e depois de uma “redenção, pelo menos parcial”, entre os sentimentos que o assolam quando visita aquele cemitério onde dezenas de timorenses em fuga se foram refugiar para fugir dos opressores e onde acabou por ocorrer um massacre que correu mundo pelas imagens de um repórter que ali estava, em 1991.

Marcelo recorda o momento em que viu essas imagens em Portugal. “Um choque”, uma realidade que acabou por ser uma “faísca” para despertar consciências. “O que aconteceu aqui foi espantoso, acordou opiniões públicas e depois os responsáveis”, diz.

O presidente chama de “gesto último e desesperado” de um povo ao ir esconder-se num cemitério, em fuga. “Percebe-se o que foi a luta timorense para chegar onde chegou, contra tudo e contra todos os argumentos da geopolítica, de estar em condições de isolamento do mundo”, acrescenta.

“E apesar de tudo, resistiu, persistiu e venceu”,
diz.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que se as imagens do massacre no cemitério de Santa Cruz não tivessem sido divulgadas, ainda assim, os timorenses encontrariam um caminho para a independência. “Chegaria sempre à independência”, apesar do processo poder ser mais doloroso, assegura.

Esta sexta-feira, comemoram-se os 20 anos da independência de Timor. Nesta primeira visita oficial à República Democrática de Timor-Leste, centrada na capital, Díli, o Presidente português tem um programa dividido por três dias, quinta, sexta e sábado, e regressa a Lisboa no domingo.
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