Marcha do Orgulho Gay na Sérvia condena violência policial contra manifestantes

Marcha do Orgulho Gay na Sérvia condena violência policial contra manifestantes

Uma Parada do Orgulho Gay na capital da Sérvia condenou a violência policial contra manifestantes antigovernamentais e ofereceu apoio aos estudantes que desde novembro protestam contra o Presidente nacionalista Aleksandar Vucic.

Lusa /
Foto: Zorana Jevtic - Reuters

Os organizadores disseram que o evento de sábado, em Belgrado, foi um protesto, sem características típicas de um festival.

Os participantes mantiveram, em vez disso, o silêncio que marcou os últimos dez meses de persistentes manifestações lideradas por estudantes que têm desafiado o Presidente.

Uma das faixas no no centro de Belgrado dizia "Gays contra o estado policial!", enquanto outra usava o chamado "Animem-se!". do movimento estudantil que atraiu centenas de milhares de pessoas contra Vucic.

"Não podemos fechar os olhos ao que está a acontecer no nosso país", afirmaram os organizadores da marcha em comunicado.

Os organizadores referiram a frequente brutalidade policial e a detenção de manifestantes: "A Marcha do Orgulho Gay não participará na criação de uma aparência de normalidade".

A manifestação integra uma série de protestos organizados em todo o país desde o colapso mortal da cobertura de betão da estação ferroviária de Novi Sad, que causou 16 mortos em novembro.

Desde maio que exigem eleições antecipadas, o que Vucic, no poder desde 2014 e reeleito em 2022 para um mandato de cinco anos, recusa, apontando a existência de uma alegada conspiração estrangeira para o derrubar.

O cada vez mais autoritário Vucic intensificou a repressão contra os manifestantes, despedindo dezenas de professores e mobilizando polícias dentro de alguns edifícios da faculdade.

Na sexta-feira à noite, a polícia deteve 42 pessoas em Novi Sad (norte), após uma manifestação a favor de eleições antecipadas, dispersada pela polícia com gás lacrimogéneo, afirmou o ministro do Interior.

O protesto liderado por estudantes, que reuniu milhares de pessoas contra Vucic, denunciou irregularidades relacionadas com a corrupção e exigiu uma investigação transparente.

Na sexta-feira à noite, 13 polícias ficaram feridos num "ataque massivo e brutal" por parte dos manifestantes e 42 pessoas foram detidas, acrescentou o ministro do Interior, Ivica Dacic, na televisão pública RTS.

Os manifestantes atacaram a polícia em frente à faculdade de filosofia com pedras, foguetes e barras, acrescentou, considerando a violência "chocante e aparentemente planeada", usada como "combustível político para aumentar as tensões".

Os protestos, que durante muito tempo foram pacíficos, tornaram-se violentos nas últimas semanas devido à repressão pela polícia e pelos apoiantes do governo, alegam os manifestantes.

Manifestações pró-Governo estão previstas para hoje no país.

Na sequência dos protestos populares dos últimos meses, o Governo foi remodelado, o primeiro-ministro substituído e vários ex-ministros foram detidos e indiciados.

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