Marcha dos Sem-Terra termina em confrontos com a Polícia em Brasília, 20 feridos
Cerca de 20 integrantes da Marcha Nacional pela Reforma Agrária ficaram feridos terça-feira após um confronto com polícias militares em frente do Palácio do Planalto, em Brasília, informou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Segundo a assessoria de comunicação do MST, os feridos foram encaminhados para um hospital, mas não há ninguém em estado grave.
O tumulto ocorreu porque a polícia tentou impedir a passagem dos manifestantes em determinado ponto da Praça dos Três Poderes.
Um dos coordenadores do MST, Charles Trocate, lamentou o incidente durante o acto público que encerrou a marcha de 220 quilómetros que mobilizou durante 17 dias mais de 12 mil trabalhadores rurais de todo o Brasil.
"A nossa marcha, marcada pela solidariedade e pela organização, colocou a reforma agrária novamente na conjuntura política do país", disse Charles Trocate à Agência Lusa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um grupo de 50 representantes dos sem-terra e de organizações da sociedade civil, que lhe entregaram um documento com suas reivindicações.
Os trabalhadores rurais pediram o cumprimento da meta do governo Lula da Silva de conseguir terra para 430 mil famílias até o fim de 2006, exigiram a mudança do modelo económico e defenderam a reestruturação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
De acordo com o MST, foi conseguida terra nos dois primeiros anos da administração de Lula para 60 mil famílias, bem menos que nos últimos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso (60 mil famílias/ano).
Durante a marcha por Brasília, os manifestantes realizaram também um protesto em frente da embaixada dos Estados Unidos, onde jogaram lixo.
"Devolvemos a eles o lixo cultural, político e das empresas multinacionais", afirmaram os coordenadores do movimento.
Cerca de 1.200 policiais militares foram mobilizados para acompanhar as manifestações dos sem-terra em Brasília.
Hoje, os líderes do movimento farão um balanço com os manifestantes sobre o encontro com o presidente Lula da Silva.
Após a avaliação, os milhares de sem-terra voltarão aos seus respectivos Estados.
De acordo com a Ouvidoria Agrária Nacional, houve 54 invasões de terra no Brasil em Abril deste ano, pouco menos da metade das 109 ocupações registadas no mesmo mês de 2004, que ficou conhecido como "Abril Vermelho".
Somadas, as invasões ocorridas nos quatro primeiros meses de 2005 chegam a 95, contra 165 no mesmo período do ano passado.
Os números revelam que o MST não quer confrontar o Governo de Lula da Silva, considerado um aliado histórico. A estratégia do movimento agora é sensibilizar o Governo e a sociedade brasileira para a necessidade de avançar no processo de reforma agrária do país.