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Marido da primeira-ministra da Moçambique impedido de defender implicado na morte de Carlos Cardoso

A Ordem de Advogados de Moçambique impediu "por razões deontológicas" o advogado Albano Silva, marido da primeira-ministra moçambicana, Luísa Diogo, de defender Nympine Chissano, acusado de envolvimento na morte do jornalista Carlos Cardoso.

Agência LUSA /

A Ordem de Advogados de Moçambique entende que Albano Silva não pode defender Nympine Chissano, filho mais velho do ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano, uma vez que, no mesmo processo, o causídico representa o Ministério Público.

"O conselho deliberativo (da organização) achou que Albano Silva está directamente ligado a este processo e não devia participar", na defesa de Nympine Chissano, disse o vice-presidente da Ordem dos Advogados de Moçambique, José Caldeira, citado pelo semanário Savana.

"Albano Silva tem ligação a este processo", insistiu José Caldeira.

Em Abril último, a Procuradoria da Cidade de Maputo acusou formalmente Nyimpine Chissano de envolvimento na morte de Carlos Cardoso, assassinado em Novembro de 2000, por existirem "elementos suficientes para o processo subir ao tribunal".

Em 2002, a Procuradoria da Cidade de Maputo abriu um processo autónomo contra Nyimpine Chissano, depois de alguns réus já condenados em conexão com a morte do jornalista terem acusado o filho do antigo presidente moçambicano de ser um dos mandantes no assassínio de Cardoso.

Após a acusação, Nyimpine Chissano terá mandatado o advogado Albano Silva, marido da primeira-ministra moçambicana, Luísa Diogo, como seu assistente, mas este recusou, em declarações à imprensa moçambicana, confirmar essa possibilidade.

Durante o julgamento, em que Nyimpine depôs apenas como declarante, um dos réus apresentou ao tribunal cheques ao portador assinados pelo primogénito de Chissano alegadamente passados para Aníbal dos Santos Júnior, "Anibalzinho", o cabecilha do esquadrão que executou o jornalista.

Em ligação com a morte do jornalista, "Anibalzinho" foi este ano condenado a cerca de 30 anos de prisão, devendo ser expulso para Portugal após cumprir a pena, a mais longa imposta a um réu na história judicial do país, no período pós-independência, em 1975.

Na altura, Nyimpine Chissano reconheceu a propriedade desses cheques, mas disse que os mesmos se destinavam a pagar uma dívida que contraiu junto do réu Nini Satar, um comerciante condenado a 24 anos de prisão como autor moral do assassínio do jornalista.

Além de Nini Satar e "Anibalzinho", foram também sentenciados outros quatro arguidos, a mais de 20 anos de cadeia, como mandantes ou executantes do crime.


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