Marina Silva celebra vitória de Lula que afasta risco de invasões de terras indígenas
A histórica líder ambiental brasileira e ex-ministra de Lula da Silva, Marina Silva, afirmou que a vitória do Presidente brasileiro afasta o risco de novas invasões de terras indígenas e do regresso da mineração ilegal a esses territórios.
"O que eu mais temia era que as terras indígenas pudessem ser invadidas novamente", afirmou, em declarações aos jornalistas após a vitória de Lula da Silva na segunda volta das presidenciais de domingo.
"E agora eu tenho a certeza de que eles estarão preservados e de que não haverá mais o risco de o garimpo voltar para destruir essas populações", acrescentou, referindo-se à mineração ilegal.
Marina Silva manifestou ainda alívio com o resultado eleitoral, considerando que estavam ameaçadas as conquistas ambientais e sociais do país.
"Estou muito feliz, porque, como eu tinha dito para vocês, o risco de jogar [...] abaixo todas as conquistas que conseguimos na área ambiental, de direitos humanos, de combate à desigualdade, era muito grande", declarou.
A antiga ministra apontou também ameaças à democracia e à soberania brasileira, sustentando que o resultado permitiu preservar "o coeficiente civilizatório" do Brasil.
"Não queremos ver o Brasil subserviente, fazendo servidão voluntária a quem quer que seja, como querem eles, em relação ao Governo Trump", afirmou, numa crítica aos adversários de Lulada Silva.
A ambientalista defendeu que o Brasil deve procurar parcerias internacionais preservando a sua soberania e os compromissos ambientais e sociais.
"O Brasil é um país soberano, que busca parceria, mas tem compromisso com combater desmatamento, enfrentar mudança do clima, combater desigualdade e promover o modelo de desenvolvimento económico de base sustentável", afirmou.
Questionada sobre como estava o seu coração depois do resultado eleitoral, respondeu: "Meu coração está feliz, agradecido a Deus e ao povo brasileiro".
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, com 51,79% dos votos, para o quarto mandato como chefe de Estado, derrotando Flávio Bolsonaro, e fez história como o primeiro candidato a vencer depois de ter perdido na primeira volta.
No entanto, Flávio Bolsonaro disse hoje que vai pedir a anulação das eleições após a decisão do Supremo Tribunal Federal de prorrogar o horário das secções de voto e recusa-se a reconhecer a derrota.