Marinha deteta menos situações ilícitas em missões ao largo de África

O comandante do navio de patrulha oceânico Sines, da Marinha Portuguesa, disse hoje, em Cabo Verde, que as missões anuais ao largo de África têm detetado menos situações ilícitas, no que classificou como uma "tendência positiva".

Lusa /

"Tendencialmente, estas ações verificam-se mais no Golfo da Guiné. Obviamente que existe uma preocupação ao longo da costa africana e, nesse sentido, temos projetado a missão não só exclusivamente na área do Golfo da Guiné, mas ao longo de toda a costa", referiu o comandante Silva Santos. 

"Tem-se verificado, ao longo dos últimos anos, uma tendência positiva: obviamente que ainda temos algumas situações, mais esporádicas hoje em dia, mas tem-se verificado que existe uma tendência positiva e de diminuição deste tipo de situações ilícitas", detalhou.

Pirataria e tráficos são exemplos de crimes na mira das autoridades internacionais.

Segundo o Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia (IESUE), os atos de pirataria e assalto à mão armada no Golfo da Guiné caíram cerca de 90%, em 2024, comparando com o pico registado em 2020, mas sistemas de justiça e direito frágeis "continuam a minar os esforços de segurança".

O Navio da República Portuguesa (NRP) Sines está em Cabo Verde desde domingo e até dia 16 de maio, no âmbito da Iniciativa Mar Aberto 2025, onde participa no exercício Obangame Express.

Trata-se de uma atividade com simulacros e outras atividades, envolvendo cerca de 100 meios navais, com "uma magnitude muito grande", de nível internacional, denotando a importância do aumento "de capacidade dos países que lidam com estas situações [ilícitas] na costa africana", descreveu Silva Santos. 

Prova disso, o facto de o NRP Sines estar atracado no porto da Praia, capital, ao lado de um navio militar brasileiro e junto ao local de onde, horas antes, zarpou um outro da marinha norte-americana, todos envolvidos no exercício.

Na iniciativa Mar Aberto, o navio vai continuar a contornar África até à baía de Maputo, Moçambique, onde deverá chegar em julho, para depois fazer o mesmo percurso de volta a Portugal.

No regresso, o navio Sines poderá ter nova missão se for acionado pelas autoridades cabo-verdianas ao abrigo do Tratado de Fiscalização Conjunta entre Portugal e Cabo Verde, para que seja embarcada uma tripulação do arquipélago que fará a vigilância da área marítima.

Presente a bordo, hoje, o embaixador português em Cabo Verde, João Queirós, recordou "uma apreensão de droga bastante elevada, exatamente graças a essa cooperação entre Portugal e Cabo Verde", registada no final de 2024, em que foram encontradas 1,6 toneladas de cocaína numa embarcação com seis pessoas, numa operação que envolveu vários países.

Silva Santos informou que há "uma cooperação e aumento da interoperabilidade com os países costeiros africanos", em especial "os cinco países de língua oficial portuguesa, no sentido de ganharem capacidade de resposta a atividades ilícitas".

O NRP Sines é comandado pelo capitão-tenente fragata Vitor Manuel da Silva Santos e conta com um total de 59 militares: 13 oficiais, 14 sargentos e 32 praças -- incluindo uma equipa de segurança dos fuzileiros, uma equipa de mergulhadores e uma equipa para operação de sistemas aéreos não tripulados (`drones`).

O Golfo da Guiné é uma vasta área do oceano Atlântico, que acompanha a reentrância da costa africana que vai da Costa do Marfim (a noroeste) até ao Gabão (a sudeste) e onde há um registo regular de casos de pirataria e atividades ilegais.

A área é palco frequente de exercícios internacionais e ações de vigilância.

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