Marinhas da China e Indonésia realizam exercícios conjuntos a leste de Taiwan
As marinhas da China e da Indonésia vão realizar exercícios navais conjuntos em meados de agosto em águas a leste de Taiwan, manobras sem precedentes que Taipé condenou.
Num comunicado divulgado na terça-feira, o Ministério da Defesa chinês informou que a fragata Honghe e um navio de guerra indonésio vão realizar exercícios focados nas comunicações e no reabastecimento no mar, sem especificar uma data ou local exatos.
De acordo com o ministério, as manobras visam melhorar as capacidades operacionais conjuntas, aprofundar a cooperação e contribuir para a manutenção da paz e da estabilidade regional.
O analista Zhang Junshe disse ao jornal estatal chinês Global Times que serão os primeiros exercícios navais entre a China e um país estrangeiro em águas a leste de Taiwan, uma área onde a presença de Pequim aumentou significativamente desde o final de maio, com o envio de navios de investigação e da guarda costeira.
"Convidar navios estrangeiros para treinar em águas sob jurisdição própria é normal e razoável", afirmou o especialista.
A China não só reivindica a soberania sobre Taiwan --- uma ilha autogovernada desde 1949 --- como também considera as áreas marítimas circundantes como suas, uma posição que o Governo taiwanês rejeita veementemente.
Em Taipé, o Conselho de Assuntos Continentais (MAC, na sigla em inglês) --- o órgão governamental responsável pelas relações com a China --- condenou estes exercícios na terça-feira, sublinhando que procuram "projetar uma imagem falsa para a comunidade internacional de que o PCC [Partido Comunista Chinês] detém jurisdição sobre as águas a leste de Taiwan".
"Estas ações unilaterais expõem completamente o repetido desrespeito do PCC pelas normas internacionais, a sua sabotagem da paz e da estabilidade regional e o seu desafio à ordem internacional", destacou o MAC, em comunicado.
O conselho afirmou ainda que Taipé "continuará a acompanhar de perto" a situação e "tomará as medidas necessárias e apropriadas para defender firmemente a soberania nacional, a paz e a estabilidade" no estreito.
Numa declaração separada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan indicou hoje que "procurou imediatamente" informações sobre a situação de "todas as partes envolvidas" e solicitou que a Indonésia "esclarecesse o assunto", sem fornecer mais detalhes.
"Como membro responsável da região, [Taiwan] manterá a sua posição firme de defesa territorial e salvaguardará ativamente a soberania e os direitos soberanos sobre as águas a leste do nosso país", afirmou o ministério.
Embora não mantenha relações diplomáticas com Taipé, a Indonésia é um dos maiores grupos de imigrantes em Taiwan, com mais de 300 mil residentes.
O anúncio das manobras coincidiu com a visita a Jacarta do subsecretário para os Assuntos Políticos do Departamento de Guerra dos EUA, Elbridge Colby, que se reuniu na terça-feira com o ministro da Defesa indonésio, Sjafrie Sjamsoeddin.
Durante a reunião, Sjafrie enfatizou que a cooperação com Washington deve reforçar a autonomia de defesa da Indonésia e afastou o estabelecimento de bases militares norte-americanas no país asiático, segundo comunicados divulgados pelo gabinete do ministro.
As manobras navais entre a China e a Indonésia - ainda não confirmadas por Jacarta - poderão ocorrer em paralelo com a fase final dos exercícios Han Kuang, os principais exercícios militares anuais de Taiwan, que terminam a 14 de agosto.