Mark Zuckerberg contra a suspensão da conta de Steve Bannon do Facebook

O CEO do Facebook disse aos funcionários da empresa que Steve Bannon, antigo conselheiro de Donald Trump, não violou políticas suficientes que justifiquem a sua exclusão da rede social. Segundo Mark Zuckerberg, as palavras de Bannon, que apelou à decapitação de altos funcionários norte-americanos, “claramente não cruzaram a linha”.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Bannon, de 66 anos, foi um dos arquitetos da bem-sucedida campanha presidencial de Donald Trump em 2016 Andrew Kelly - Reuters

As recentes polémicas que envolvem o antigo conselheiro do ainda Presidente dos Estados Unidos surgiram na semana passada, quando Steve Bannon apelou à morte de altos funcionários norte-americanos.

Durante um episódio do seu podcast publicado a 5 de novembro, Bannon atacou Anthony Fauci, principal especialista em doenças infecciosas e responsável pela gestão da pandemia de Covid-19 nos EUA, assim como o diretor do FBI, Christopher Wray, alegando querer colocar "as suas cabeças em estacas" e colocá-las de "cada lado da Casa Branca como um aviso aos burocratas federais" por terem sido desleais ao Presidente dos EUA.

O podcast foi distribuído em formato vídeo em várias redes sociais. O Twitter suspendeu permanentemente a conta @WarRoomPandemic, em homenagem ao programa online de Bannon, por “violar as regras do Twitter, especialmente a política de glorificação de violência”.

O YouTube retirou, pelas mesmas razões, o episódio do canal Steve Bannon`s War Room, que, no entanto, continua ativo e tem mais de 200 mil subscritores.

Por sua vez, o Facebook também removeu o vídeo depois de estar online havia dez horas, mas não suspendeu a conta do utilizador, que tem cerca de 175 mil seguidores.

“Temos regras específicas sobre quantas vezes precisam de violar certas políticas antes de desativarmos totalmente uma conta”, disse Zuckerberg durante uma reunião com os funcionários da empresa na quinta-feira. “Embora estas ofensas [de Steve Bannon], na minha opinião, tenham estado perto de cruzar a linha, elas claramente não cruzaram a linha”, acrescentou o chefe executivo do Facebook.

Em declarações à agência Reuters, o porta-voz do Facebook, Andy Stone, disse que a empresa tomará novas medidas contra a página de Bannon "se existirem infrações adicionais". Bannon, de 66 anos, foi um dos arquitetos da bem-sucedida campanha presidencial de Donald Trump em 2016, antes de ser dispensado pelo Presidente norte-americano.

Uma porta-voz de Bannon defendeu o antigo conselheiro de Trump, alegando que os seus comentários foram “claramente metafóricos”. “O Sr. Bannon não fez, não quis e nunca exigiu qualquer tipo de violência”, disse a porta-voz Alexandra Preate em comunicado.
Informações falsas sobre as eleições
Durante o passado fim de semana, a rede social Facebook também anunciou que fechou várias páginas vinculadas a Bannon por divulgarem informações falsas sobre as eleições nos Estados Unidos.

"Removemos vários focos de atividade que usavam táticas de comportamento não autêntico para expandir artificialmente quantas pessoas veem o seu conteúdo", informou o porta-voz do Facebook em comunicado.

As páginas encerradas, com 2,45 milhões de seguidores, incluem os grupos "Conservative Values", "We Build the Wall Inc" ou "Trump at War", que defendiam a tese de Donald Trump de que terá havido fraude nas eleições presidenciais de 3 de novembro, apesar de não terem sido apresentadas quaisquer provas nesse sentido. Suspeito, juntamente com outras três pessoas, de desvio de fundos supostamente destinados à construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, Bannon foi acusado e detido no final de agosto.

Segundo avança a agência Reuters, durante a reunião entre funcionários do Facebook na quinta-feira, Zuckerberg foi interrogado sobre as críticas que recebeu do Presidente eleito, Joe Biden, e de membros da sua equipa.

Em declarações ao New York Times em dezembro, Biden admitiu que “nunca foi um fã do Facebook” e considerou que Zuckerberg era “um sério problema”.

Bill Russo, vice-diretor de comunicação da campanha de Biden, tem igualmente vindo a criticar o Facebook pela forma como lidou com as eleições. “Se pensaram que a desinformação no Facebook foi um problema durante as eleições, esperem até verem como está a destruir a estrutura da nossa democracia nos dias seguintes”, escreveu Russo na sua conta do Twitter.


O vice-diretor de comunicação da campanha de Biden já tinha criticado o Facebook, ao afirmar que os temas relacionados com fraude e desinformação sobre a vitória eleitoral representaram 17 das 20 primeiras publicações no Facebook entre 3 e 8 de novembro. “Enquanto o Twitter desativou a partilha de desinformação eleitoral por parte de Trump, o Facebook continuou a promover ativamente as partilhas nos feeds, defendeu Russo num tweet.

Zuckerberg reconheceu as críticas de Joe Biden e disse inclusivamente que a empresa partilha algumas das preocupações da equipa do Presidente eleito sobre a rede social. No entanto, o CEO do Facebook também terá dito na reunião que a nova administração “não foi monolítica”. “Só porque algumas pessoas possam falar de uma forma que é mais antagónica a nós, não significa necessariamente que falam por todo o grupo ou que toda a administração as vai defender”, asseverou Zuckerberg.

c/ agências
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