Matriarca dos Bhutto vai a enterrar no cemitério da família em Islamabad
Islamabad, 24 out (Lusa) - A matriarca da principal dinastia política do Paquistão, Begum Nusrat Bhutto, será hoje sepultada no país depois da sua morte, domingo, aos 82 anos num hospital do Dubai, revelaram fontes oficiais paquistanesas.
O funeral terá lugar no cemitério familiar dos "Bhutto", localizado em Garhi Khuda Baksh, na província de Sindh, sul do país, disse o porta-voz do Partido Popular do Paquistão, Farhatulá Babar.
A história de Nusrat segue em paralelo com a saga da sua família e a instabilidade vivida no Paquistão e é recordada como a primeira pessoa da sua dinastia que morre na cama.
"Na sua vida trágica, Nusrat Bhutto foi testemunha e sofreu o homicídio do seu marido e dos seus três filhos, mas negou sempre ceder perante a ditadura", salientou Farhatulá Babar.
Nusrat Bhutto era a mulher do ex-primeiro-ministro Zulfikar Alí Bhutto e mãe da ex-chefe do Governo paquistanês Benazir Bhutto, ambos assassinados. Foi também sogra do atual presidente do Paquistão, Asif Alí Zardari, que viajou para o Dubai para organizar as exéquias.
A vida da matriarca foi considerada pelos meios de comunicação social paquistaneses como "o maior tormento" porque teve de assistir às mortes violentas do seu marido e de três dos seus quatro filhos, enquanto lutavam contra os regimes militares.
Primeira-dama do Paquistão na década de 1970, NUsrat teve de enfrentar o golpe militar do general Zia ul Haq que derrubou o governo do seu marido, que seria executado em 1979 na cadeia de Rawalpindi, depois de um julgamento controverso.
Também às mãos de Zia ul Haq e dos seus serviços secretos, seria morto o filho mais novo de Nusrat, Shahnawaz, falecido em 1985 em circunstâncias misteriosas na sua casa do sul de França.
Na década de 1990, Nusrat partilhou a liderança do partido com a filha Benazir e as relações pessoais entre ambas as mulheres deterioraram-se e só a morte do filho mais velho, Murtaza Bhutto levou à reconciliação.
Depois Nusrat partiu para o Dubai onde se refugiou com a filha Benazir - que fugia à justiça paquistanesa pela sua ação como chefe do Governo, regressando apenas em 2007, quando seria assassinada durante a campanha eleitoral.
O Governo do Paquistão declarou 10 dias de luto nacional.