Mundo
Mauritano libertado após 14 anos em Guantánamo sem culpa formada
Um engenheiro mauritano de 46 anos foi esta semana libertado da prisão norte-americana de Guantánamo depois de um comité ter aprovado a libertação sobre a base de que não representava qualquer perigo. Mohamedou Ould Slahi passou os últimos 14 anos no estabelecimento prisional situado num dos extremos de Cuba sem que fosse acusado pelas autoridades norte-americanas. Em 2005 escreveu “Diário de Guantánamo”, livro em que descreve todos os abusos que sofreu e que seria publicado dez anos depois, em 2015. A sua advogada fala de um relato “sem ódio, apenas com paixão”.
Catorze anos depois, Mohamedou Ould Slahi chegou esta segunda-feira a casa, na Mauritânia, terra natal de onde foi subtraído em 2002 e enviado para Guantánamo, não sem que antes passasse por duas prisões, primeiro na Jordânia e depois no Afeganistão.
Na quase década e meia que esteve encarcerado na prisão da parte americana da ilha, Slahi não enfrentou qualquer acusação. Enfrentou, isso sim, abusos sexuais, privação do sono e de alimentos e tortura com posições extremas em salas enregeladas. Todos estes acontecimentos estão relatados no livro - um êxito de vendas que, no entanto, não o libertaria de imediato.Linda Moreno:
“O livro não contém ódio, apenas compaixão e compreensão sobre como às vezes algumas pessoas podem fazer coisas horríveis a outras”.
“É uma pessoa muito humilde, recebeu toda a atenção e elogios [pelo livro] com muita humildade e até um pouco de vergonha”.
O engenheiro de telecomunicações haveria ainda de esperar seis anos antes de conhecer a liberdade. E também de nada lhe valeu que em 2010 um juiz federal norte-americano tenha decretado a sua libertação ao aceitar um habeas corpus da defesa.
O governo americano recorreu e o caso apenas chegou a um desenlace com a decisão de um comité interno que assinou a sua libertação, com a justificação de que já não era perigoso.
Mohamedou Ould Slahi foi levado para Guantánamo em 2002 sob fortes suspeitas. Fora assinalada a sua passagem nos anos 90 por um campo de treino da al Qaeda. Seria apontado como suspeito de participar em 1999 num atentado falhado em Los Angeles. Prisioneiro dos Estados Unidos desde 2001, as provas contra Slahi nunca chegaram a ser apresentadas.
Há três meses, perante a possibilidade de libertação e a oferta do governo mauritano de o receber de volta, os norte-americanos acabaram por pôr em marcha a sua libertação. No entanto, em Guantánamo ficam ainda outros 60 prisioneiros de guerra, grande parte sem culpa formada e sendo muitos deles a prova do embaraço que constitui para Washington um caso sem fundamento legal e trabalhado com técnicas – de tortura – que escapam à legislação em vigor em solo americano.
Numa entrevista telefónica ao El País, a sua advogada de origem cubana, Linda Moreno, fala de “dias de completa alegria”. Não deixa contudo de lembrar esses outros companheiros de cárcere, a que deseja “a justiça que merecem”.
Essas seis dezenas de prisioneiros de Guantánamo constituem, a três meses do fim do último mandato de Barack Obama, um atestado de incapacidade para o presidente, que prometeu encerrar o estabelecimento em Cuba antes de abandonar a Casa Branca.
Na quase década e meia que esteve encarcerado na prisão da parte americana da ilha, Slahi não enfrentou qualquer acusação. Enfrentou, isso sim, abusos sexuais, privação do sono e de alimentos e tortura com posições extremas em salas enregeladas. Todos estes acontecimentos estão relatados no livro - um êxito de vendas que, no entanto, não o libertaria de imediato.Linda Moreno:
“O livro não contém ódio, apenas compaixão e compreensão sobre como às vezes algumas pessoas podem fazer coisas horríveis a outras”.
“É uma pessoa muito humilde, recebeu toda a atenção e elogios [pelo livro] com muita humildade e até um pouco de vergonha”.
O engenheiro de telecomunicações haveria ainda de esperar seis anos antes de conhecer a liberdade. E também de nada lhe valeu que em 2010 um juiz federal norte-americano tenha decretado a sua libertação ao aceitar um habeas corpus da defesa.
O governo americano recorreu e o caso apenas chegou a um desenlace com a decisão de um comité interno que assinou a sua libertação, com a justificação de que já não era perigoso.
Mohamedou Ould Slahi foi levado para Guantánamo em 2002 sob fortes suspeitas. Fora assinalada a sua passagem nos anos 90 por um campo de treino da al Qaeda. Seria apontado como suspeito de participar em 1999 num atentado falhado em Los Angeles. Prisioneiro dos Estados Unidos desde 2001, as provas contra Slahi nunca chegaram a ser apresentadas.
Há três meses, perante a possibilidade de libertação e a oferta do governo mauritano de o receber de volta, os norte-americanos acabaram por pôr em marcha a sua libertação. No entanto, em Guantánamo ficam ainda outros 60 prisioneiros de guerra, grande parte sem culpa formada e sendo muitos deles a prova do embaraço que constitui para Washington um caso sem fundamento legal e trabalhado com técnicas – de tortura – que escapam à legislação em vigor em solo americano.
Numa entrevista telefónica ao El País, a sua advogada de origem cubana, Linda Moreno, fala de “dias de completa alegria”. Não deixa contudo de lembrar esses outros companheiros de cárcere, a que deseja “a justiça que merecem”.
Essas seis dezenas de prisioneiros de Guantánamo constituem, a três meses do fim do último mandato de Barack Obama, um atestado de incapacidade para o presidente, que prometeu encerrar o estabelecimento em Cuba antes de abandonar a Casa Branca.