Mecenas turco Osman Kavala denuncia "influência política" no seu processo judicial
O mecenas e filantropo turco Osman Kavala, detido sem julgamento desde 2017, denunciou hoje perante um tribunal de Istambul "a influência dos políticos" e o "envolvimento" do Presidente Recep Tayyip Erdogan no seu caso.
Kavala, 64 anos, que se exprimiu através de videoconferência a partir da prisão de Silivri, a oeste de Istambul, é acusado de espionagem, financiamento das manifestações antigovernamentais de 2013 - o designado "Movimento Gezi" - e de envolvimento na conspiração que implicou a fracassada tentativa de golpe de Estado em julho de 2016.
As acusações, que sempre negou, podem implicar condenação a prisão perpétua.
A audiência, que poderá ser uma das últimas deste longo processo judicial, foi iniciada esta manhã com nove dos 16 coacusados.
Perante os juízes e numa sala repleta, Osman Kavala denunciou as acusações "absurdas" e denunciou um caso que "longe de ser objetivo, reflete o discurso de atores políticos".
Recordou ainda que já foi libertado e absolvido por uma vez, antes de ser novamente detido e indiciado "com base em alegadas provas".
"Desde então, acrescentou Kavala, "foi redigida uma estranha ata de acusação assente em teorias da conspiração e falsos testemunhos".
"Pretendo insistir no facto de que nunca fui interrogado pelo procurador em qualquer momento do processo", facto que "constitui "uma infração grave às suas obrigações", declarou ainda.
"Nunca poderá ser compensado o facto de ter passado quatro anos e meio da minha vida na prisão. A única coisa que poderá consolar-me será ter contribuído em revelar os graves erros da justiça", sublinhou Kavala.
Através de uma declaração à cadeia televisiva France 24, a sua mulher, Ayse Bugra, assegurou não entender as acusações emitidas pela justiça.
"O meu marido não está filiado em qualquer partido político, organização ou movimento, é muito estranho", indicou. "Não espero nada e tento não esperar nada mais, porque o desvanecimento da esperança é devastador".