Médico guineense diz que até prova em contrário o chá de Madagáscar não cura doença

por Lusa

O médico guineense Mboma Sanca disse à Lusa que até prova em contrário não reconhece qualquer propriedade de cura ao chá que o Presidente do país importou de Madagáscar para tratar doentes infetados pela covid-19.

Médico da unidade dos Cuidados Intensivos do Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, Mboma Sanca afirmou que, enquanto clínico, não aconselha que seja administrado o chá a qualquer doente ou a alguém que queira prevenir-se da infeção pela covid-19.

"Não sabemos como é feito o chá, qual a dosagem, quais as propriedades, daí que não aconselhamos a sua utilização, mas quem o quiser tomar não poderemos fazer nada", notou Sanca, também animador de um programa de rádio, em que interage com a população sobre questões ligadas às doenças.

Nos últimos dias, o programa de Mboma Sanca, que é emitido semanalmente na rádio Jovem de Bissau, é dedicado inteiramente a questões ligadas ao novo coronavírus.

O médico sustenta a sua reticência em relação ao chá, importado de Madagáscar pelo Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, pelo facto de a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não ter uma posição definitiva sobre o produto.

"Nós fazemos parte da OMS e não ouvimos nenhum pronunciamento abonatório e nenhum técnico de saúde guineense pode dizer que sabe ou conhece esse chá", afirmou Mboma Sanca, pedindo aos guineenses para que "não enveredarem pela improvisação" perante a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

"Na Guiné-Bissau, muita gente gosta de desafiar a ciência", observou Sanca, para defender que um eventual uso do chá poderá levar a população a ser displicente perante "uma doença que ainda não tem cura", notou.

Mboma Sanca até entende a iniciativa de Umaro Sissoco Embaló em mandar buscar um produto que acredita ter propriedades medicinais, mas defendeu que antes daquela iniciativa o Presidente guineense deveria envolver técnicos de saúde e da farmacologia locais para uma análise prévia.

No sábado, a Guiné-Bissau recebeu um chá proveniente do Madagáscar, à base de artemísia, que tem estado a ser utilizado naquele país para prevenir a covid-19.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que reconhece os benefícios da utilização de formas de medicação tradicionais, em particular em África, saudando a utilização destes na procura de terapias no combate à covid-19, mas alertou que devem ser clinicamente comprovados.

Por seu lado, a União Africana (UA) anunciou estar em conversações com Madagáscar para obter os dados técnicos relativos à segurança e eficácia do remédio natural à base de ervas anunciado para a prevenção e tratamento da covid-19.

A Guiné-Bissau registou até hoje 457 casos de covid-19, incluindo 24 recuperados e dois mortos.

O Presidente da Guiné-Bissau prolongou, pela segunda vez, o estado de emergência no país até 11 de maio.

No âmbito do combate à pandemia, as autoridades guineenses encerraram também as fronteiras, serviços não essenciais, incluindo restaures, bares e discotecas e locais de culto religioso, proibiram a circulação de transportes urbanos e interurbanos e limitaram a circulação de pessoas ao período entre as 07:00 e as 14:00 horas.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África subiu hoje para 1.959, com mais de 49 mil casos da doença registados em 53 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 254 mil mortos e infetou quase 3,6 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um 1,1 milhões de doentes foram considerados curados.

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