Médio Oriente. Analistas afirmam que é necessária transição política acabar conflito

O conflito israelo-árabe está num ponto de viragem, mas o processo de paz só será possível após uma transição política em Israel que nem os líderes da oposição oferecem, afirmaram hoje vários analistas.

Lusa /

"Estamos atualmente no ponto de viragem mais determinante das relações entre Israel e a Palestina desde 1948. Mas, ao mesmo tempo, o que aconteceu a 07 de outubro não foi uma rutura", comentou a analista do International Crisis Group, Mairav Zonszein.

Durante o debate "Israel-Palestina: Como é que a guerra está a mudar a política israelita?" organizado pelo centro de estudos britânico Chatham House, a jornalista israelo-americana considerou que, mesmo descontente com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a maioria da sociedade israelita apoia a intervenção militar na Faixa de Gaza contra o Hamas.

"Há muito apoio à guerra, mas penso que, cada vez mais, começamos a ver fissuras e começamos a compreender que, à medida que as coisas avançam, os israelitas vão perceber que tem de haver uma alternativa, e que mesmo aqueles que estão na oposição não estão a oferecer essa alternativa", afirmou Zonszein.

Para esta analista, os líderes da oposição Yair Lapid, ex-primeiro-ministro, eo Benny Gantz, membro do gabinete de guerra e dirigente do Partido de Unidade Nacional, deixaram de ocupar o centro político e estão agora à direita.

"A guerra arrisca arrastar-se durante muitos meses se essa alternativa não for apresentada tanto externamente por atores estrangeiros, principalmente os EUA, como internamente por políticos que ofereçam uma alternativa realmente clara que envolva uma solução política", vincou.

Nimrod Goren, investigador sobre política israelita no Middle East Institute, sediado em Washington, também identifica "a chegada a uma fase em que é necessária uma transição política interna em Israel para se conseguir qualquer progresso na melhoria de relações com os palestinianos e qualquer avanço no sentido da solução de dois Estados".

Apesar do consenso geral em Israel sobre os objetivos da guerra, a opinião pública está satisfeita com Netanyahu, enfatizou.

A transição "não conduzirá a uma mudança total da direita para a esquerda", mas pode abrir espaço a um governo com uma ideologia diferente, "que se concentre na boa governação e na viabilização das relações regionais".

Por outro lado, sublinhou, o processo de paz também vai precisar de "uma liderança palestiniana unificada que controle tanto a Cisjordânia como Gaza e que seja capaz, moderada e legítima".

Thabet Abu Rass, co-diretor executivo da organização The Abraham Initiatives que promove a coexistência de judeus e árabes, defende que "esta crise oferece uma grande oportunidade para que Israel adote ou para que a comunidade internacional pressione Israel a dar alguma esperança aos palestinianos e a participar numa cimeira de paz que garanta a independência da Palestina, um Estado independente e soberano ao lado de Israel".

Para isso, concorda, será necessária uma "mudança de liderança em ambas as nações", mas uma "verdadeira mudança de paradigma" na política em Israel continua a levantar dúvidas.

"Uma equação política que inclua partidos de direita manterá o `status quo` atual e não nos levará à paz. Os partidos políticos em Israel, à esquerda e ao centro, têm de mudar a sua estratégia e promover uma parceria política com os cidadãos árabes e os partidos políticos árabes", sugeriu.

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