Médio Oriente. Último grande hospital no norte de Gaza foi desativado

por Inês Moreira Santos - RTP
Dawoud Abu Alkas - Reuters

Deixou de funcionar o último grande hospital que estava em serviço no norte da Faixa de Gaza. A informação foi avançada pela Organização Mundial da Saúde, depois de as Forças de Israel terem detido o diretor da instituição de saúde palestiniana. Já este sábado de manhã, o exército israelita libertou cerca de 400 pessoas detidas durante o ataque ao Hospital Kamal Adwan, em Beit Lahia, no norte de Gaza, mas o responsável da unidade continua desaparecido.

“As forças de ocupação levaram dezenas de profissionais médicos do Hospital Kamal Adwan para um centro de detenção para interrogatório, incluindo o diretor, Hossam Abu Safiyeh”, disse o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, num comunicado.

O hospital teve de ser encerrado depois dos ataques do exército israelita às instalações. A OMS indica que os principais serviços do Hospital Kamal Adwan foram incendiados e destruídos.

A agência de defesa civil de Gaza informou que Abu Safiyeh foi detido, acrescentando que o diretor da agência para o norte, Ahmed Hassan al-Kahlout, estava também entre os detidos.

“A ocupação destruiu completamente os sistemas médicos, humanitários e de defesa civil no norte, tornando-os inúteis”, disse Mahmud Bassal, porta-voz da agência de defesa civil, à AFP.

Na sexta-feira, o exército israelita confirmou ter lançado uma operação na área desse hospital, dizendo que a instalação de saúde era um “reduto importante para organizações terroristas”. O grupo terrorista Hamas, por seu lado, negou que os militantes estivessem a usar o hospital e acusou as forças israelitas de invadirem o edifício.

“O ataque desta manhã ao Hospital Kamal Adwan colocou esta última grande unidade de saúde no norte de Gaza fora de serviço. Relatórios iniciais indicam que alguns departamentos importantes foram severamente queimados e destruídos durante o ataque”
, avançou a OMS numa declaração no X.

Em resultado dos ataques, há 60 membros da equipa médica e 25 pacientes em estado crítico.

Depois de invadirem na sexta-feira o Hospital Kamal Adwan, um dos poucos hospitais parcialmente operacionais que restam no norte da Faixa de Gaza, e de incendiarem grande parte das suas instalações, as tropas israelitas detiveram quase todos os doentes, acompanhantes, deslocados e pessoal médico. Obrigaram-nos a caminhar até ao pátio de uma escola próxima, revistaram-nos e interrogaram-nos.

A maioria foi libertado, incluindo pessoal médico, mas desconhece-se o paradeiro do médico Husam Abu Safiya, que está há mais de dois meses na linha da frente a dirigir o hospital no meio de fortes ataques israelitas e a denunciar a violação do direito internacional na sequência dos ataques contra o sistema de saúde.

Durante a madrugada, Israel também bombardeou uma casa no campo de refugiados de Al Maghazi, no centro do enclave, matando pelo menos nove pessoas, todas membros da mesma família.

C/agências
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