Medo de violência provoca engarrafamentos de centenas de quilómetros em São Paulo

A ânsia dos paulistas em regressar hoje a casa mais cedo, receando mais violência na cidade, provocou engarrafamentos de 240 quilómetros em São Paulo, disse à Agência Lusa o português Pedro Faro, que vive na cidade há onze anos.

Agência LUSA /

Pedro Faro afirmou que "não existe toque de recolha, mas por medo toda a gente acabou por regressar a casa mais cedo", uma vez que o comércio e as escolas também fecharam mais cedo.

Hoje, pelas 18:30 (22:30 em Lisboa), os engarrafamentos na cidade atingiam "240 quilómetros" de extensão, quando normalmente o trânsito de fim de tarde atinge, "em média, 50 quilómetros", contou.

Pedro Faro relatou que o aeroporto de Congonhas, onde se concentram voos locais, foi encerrado a partir das 16:00/17:00 (hora local).

O português acrescentou que, segundo a televisão brasileira, "provavelmente na terça-feira não vai haver autocarros em São Paulo", uma informação que carece de confirmação oficial.

Os transportes públicos têm sido um dos principais alvos da violência provocada por gangs de criminosos desde sexta-feira.

Segundo explicou Pedro Faro, no domingo, quando se comemorou no Brasil o Dia da Mãe, foi concedido indulto temporário a "50 mil" condenados no Estado de São Paulo, "12 mil" dos quais na cidade, que se terão também juntado à vaga de crime.

A onda de violência no Estado de São Paulo já fez 81 mortos e pelo menos 49 feridos nos 180 ataques contra prédios públicos e bases policiais, segundo um balanço divulgado hoje pela Secretaria de Segurança Pública.

Do total de mortos, 39 eram membros das forças de segurança do Estado (22 polícias militares, oito agentes penitenciários, seis polícias civis e três guardas civis metropolitanos), quatro cidadãos comuns, entre eles alguns parentes de polícias, e 38 criminosos.

De acordo com a SPP, foram presos 91 delinquentes desde o início dos ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), na sexta-feira à noite.

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