Mensagem do líder da Al Qaeda lança novas ameaças contra os Estados Unidos

O fundador da Al Qaeda, Osama Bin Laden, libertou uma nova mensagem áudio lançando acusações contra os norte-americanos no momento em que o seu Presidente pisava solo da Arábia Saudita. Sem coincidências, Barack Obama inicia hoje um périplo pelo Médio Oriente com a agenda virada para a reconciliação com os muçulmanos.

RTP /
Numa mensagem, em Janeiro, Bin Laden já apontava a Barack Obama a "pesada herança" que constituiam os oito anos da Administração Bush DR

Na mensagem difundida pela televisão Al Jazeera, Bin Laden acusa Obama de estar por detrás "do massacre levado a cabo contra muçulmanos" no vale de Swat, no Noroeste do Paquistão.

Osama Bin Laden acusa ainda o Presidente dos Estados Unidos de seguir a mesma política da Administração Bush, revelando a hostilidade norte-americana contra a comunidade muçulmana.

O número um da Al Qaeda acusa Barack Obama de estar a prosseguir a política da Administração Bush e de ter instigado o Presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, a lançar o exército numa operação sem quartel contra militantes (taliban) e a sharia (lei islâmica) reinantes no vale de Swat, obrigando a uma fuga desesperada de três milhões de muçulmanos, que deixaram para trás um cenário de "matança, combates, bombardeamentos e destruição", nas palavras de Bin Laden.

"Pessoas mais velhas, crianças e mulheres fugiram das suas casas e passaram a viver como refugiados em tendas depois de terem vivido de forma digna nas suas casas", afirma a voz na gravação, alegadamente Bin Laden, mas cuja veracidade não foi ainda comprovada.

Obama está a criar "novas sementes de ódio contra os Estados Unidos"

No seguimento destas acusações, pode ouvir-se na gravação uma nova ameaça contra o povo americano: "Obama e a sua Administração deitaram novas sementes que alimentam o ódio e a sede de vingança contra a América. O número dessas sementes equivale ao número de deslocados do vale de Swat".

Num discurso ameaçador, Bin Laden alerta os norte-americanos dizendo-lhes que devem estar preparados para "colher os frutos do que têm plantado os dirigentes da Casa Branca".

A mensagem difundida pela televisão do Qatar antecede o discurso que Barack Obama deverá pronunciar amanhã no Cairo, palavras que serão dirigidas pelo líder norte-americano ao povo muçulmano e com os quais os Estados Unidos pretendem empreender um novo trilho de entendimento, depois de anos de hostilidade fomentada pela administração Bush.

Obama em périplo pela reconciliação

O Presidente norte-americano inicia na capital do reino saudita um périplo pelo Médio Oriente com a agenda marcada pela palavra reconciliação. Durante a viagem à região, Obama tentará relançar pontes com o mundo muçulmano depois de os Estados Unidos da era Bush terem sido acusados de parcialidade nas questões do Médio Oriente devido à aliança com Israel.

Na agenda de Barack Obama estão o processo de paz entre israelitas e palestinianos, o programa nuclear iraniano e o preço do petróleo.

A anteceder este ataque do fundador da Al Qaida, ontem foi conhecida uma preimeira mensagem da rede terrorista, com o seu número dois, Ayman Al-Zawahri, a chamar mentiroso ao Presidente Obama.

Igualmente numa mensagem áudio, al-Zawahri lança um apelo aos egípcios para que demonstrem o seu desagrado na altura em que Obama proferir o seu discurso na capital do Egipto, país que o número dois da Al Qaeda considera ter sido transformada pelos seus dirigentes "num local de tortura internacional na guerra americana contra o Islão".

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