Merkel acusada de espírito de vingança "medieval"

Os adversários políticos também a criticaram, mas foi um correligionário quem dirigiu à chanceler Angela Merkel a censura mais demolidora por se ter regozijado publicamente com a execução de Bin Laden. O democrata-cristão Siegried Kaur acusou-a, nada menos, de ter um comportamento de tipo vingativo e medieval. Várias outras vozes no campo do Governo condenaram também a palavras de Merkel.

RTP /
Angela Merkel ao comentar ontem, em conferência de imprensa, a morte de Bin Laden Michael Kappeler, Epa

Merkel tinha dito em conferência de imprensa, segundo citação de Spiegel on-line: "Regozijo-me que se tenha conseguido matar Bin Laden". E acrescentara que esse desfecho foi "um grande sucesso". As críticas começaram logo a chover, de quadrantes políticos e religiosos diversos.

Do lado dos Verdes e da Igreja Evangélica, ouviu-se a voz da vice-presidente do Parlamento Federal, Katrin Göring-Eckhadrt, a dizer: " Como cristã só posso dizer que não é motivo de regozijo que alguém seja morto intencionalmente".

A crítica mais dura foi a do presidente da Comissão de Direitos do Parlamento Federal, o democrata-cristão Siegried Kauer: "Eu não o teria formulado assim. São ideias de vingança que em geral não se deve alimentar. Isto é Idade Média". O jurista Kauer comentou também criticamente a questão da legalidade da execução: "Uma execução arbitrária não é permitida pela lei internacional sobre as liberdade civis e políticas. Se se conclui que há muito Bin Laden não estava activo, então a execução pode ter sido arbitrária".

Também entre os católicos do campo democrata-cristão, a vice-presidente do grupo parlamentar, Ingrid Fischbach afirmou que "de um ponto de vista cristão não é apropriado manifestar alegria pela execução planeada de uma pessoa e pela sua morte". E o porta-voz do círculo de Católicos Empenhados na CDU, por sua vez, disse que "a execução de uma pessoa nunca pode ser motivo de alegria para um cristão. Pode-se ficar contente por o perigo do terrorismo estar agora mais controlado, mas teria sido melhor prender Osama Bin Laden e julgá-lo".

Um aliado de peso dos democratas-cristãos, o ministro liberal dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, também se demarcou da sua chanceler: "Temos de ter atenção com as nossas reacções no Ocidente - por muito que compreendamos o alívio - para mandar ao mundo sinais que contribuam para espicaçar ou heroisar a Al Qaeda".

Na mesma onde dos católicos alemães, o cardeal francês Albert Vanhoye afirmou hoje ter rezado "pela alma de Osama Bin Laden. É preciso rezar por ele, como por todas as vítimas do 11 de setembro. É isso que Jesus ensinou aos critãos".








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