Merkel pede para "lutar pela democracia" face à extrema-direita na Alemanha
Angela Merkel, antiga líder do Governo da Alemanha (2005-2021), pediu à população que interrompa o avanço da extrema-direita e "lute pela democracia", uma semana antes das eleições regionais.
"Acredito que agora, mais uma vez, devemos realmente lutar por esta democracia --- algo que não precisamos de fazer há muitas décadas --- e simplesmente defendê-la, ser um pouco mais corajosos, cumprir a nossa palavra e dizer que este é um modo de vida maravilhoso", declarou Merkel, num evento em Berlim, no sábado.
O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) está a liderar as sondagens na Saxónia-Anhalt, com 40%, e pode vencer pela primeira vez uma eleição regional na Alemanha, ficando em posição de reivindicar o governo estadual.
A antiga chanceler alemã observou que a maioria do eleitorado não apoia o AfD, embora tenha avisado que o partido deixou de ser uma força marginal no leste e passou a ser um "fenómeno que abrange toda a Alemanha".
Merkel destacou ainda o forte desempenho da extrema-direita nas eleições regionais nos estados ocidentais de Baden-Württemberg e Renânia-Palatinado, historicamente mais alinhados com a direita cristã.
O AfD, em certa medida, "dominou todos os nossos debates de sol a sol", lamentou a dirigente, em referência à campanha eleitoral na Saxónia-Anhalt, que se prepara para as eleições regionais de 06 de setembro.
De acordo com a antiga chanceler alemã, isto significa que os eleitores já não sabem o que os outros partidos realmente querem.
De acordo com a sondagem Politbarometer, divulgada na sexta-feira pela estação pública alemã ZDF, considerada um dos barómetros políticos mais fiáveis do país, se as eleições de 06 de setembro se realizassem hoje, a AfD seria o partido mais votado na Saxónia-Anhalt, com 40% dos votos, quase o dobro dos 20,8% obtidos nas eleições anteriores, em 2021.
Segundo o inquérito de opinião, a AfD mantém a sua clara vantagem, com quase o dobro das intenções de voto da União Democrata-Cristã do atual chanceler alemão, Friedrich Merz, com 23%, a pouco mais de uma semana das eleições, embora seja pouco provável que consiga alcançar a maioria absoluta.
Cerca de 1,8 milhões de eleitores são chamados às urnas a 06 de setembro neste estado do leste da Alemanha, com aproximadamente 2,1 milhões de habitantes.
A apenas cerca de 150 quilómetros de Berlim, a Saxónia-Anhalt, cuja capital é Magdeburgo, poderá marcar um ponto de viragem na política alemã, caso a extrema-direita confirme nas urnas a liderança apontada pelas sondagens.
Saxónia-Anhalt enfrenta uma forte transformação demográfica, marcada pelo envelhecimento e pela perda de população. Em 2025, o estado perdeu mais de 15 mil habitantes, mantendo uma tendência que se prolonga há décadas e é particularmente acentuada nas zonas rurais.