Merkel reclama de Putin investigação sobre envenenamento de Nawalny

Poucas horas depois de o hospital da Charité, em Berlim, ter confirmado a existência de um veneno invulgar e desconhecido no organismo do oposicionista russo, a chanceler alemã declarou que espera das autoridades russas uma investigação sobre o atentado.

RTP /
Charles Platiau, Reuters

Alexej Nawalny, transportado para o reputado hospital berlinense, encontra-se aí desde sábado, tendo a equipa médica responsável pelo acompanhamento do caso afirmado hoje que encontrou no seu organismo vestígios de um veneno desconhecido.

Os médicos que primeiro trataram Nawalny, na Sibéria, tinham-se oposto à sua transferência para Berlim, afirmando, por um lado, que ele não estava em condições de ser transportado e, por outro, que estavam certos de não ter havido qualquer envenenamento.

O staff da campanha de Nawalny, pelo contrário, insistira no seu urgente transporte, receando que a permanência num hospital siberiano o deixasse ao alcance dos autores do primeiro atentado, para concluírem o trabalho. Agora, que se confirmou a ocorrência desse atentado, com a descoberta dos vestígios de veneno, a colaboradora de Nawalny, Ljubow Sobol declarou a Der Spiegel que, ao oporem-se à transferência para Berlim, os médicos siberianos "tentaram ganhar tempo até que o veneno já não fosse detectável no corpo de Nawalny".

A chanceler alemã Angela Merkel e o seu ministro do Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, já reagiram entretanto à notícia da existência dos vestígios de veneno, emitindo uma declaração conjunta com um urgente apelo às autoridades russas "para que esclareçam este crime até às últimas consequências - e isto com absoluta transparência". Mais, acrescentam Merkel e Maas, "os responsáveis devem ser investigados e chamados à responsabilidade". A declaração não menciona, contudo, o nome do presidente russo, Vladimir Putin.

Segundo uma porta-voz do hospital da Charité, o estado de saúde de Nawalny é preocupante, mas sem que exista neste momento perigo de vida. A porta-voz de Nawalny, Kira Jarmysch, confirmou por Twitter que este continua em coma, mas estável. E a médica pessoal de Nawalny, Anastassija Wassiljewa, prognosticou que ele acabará por sobreviver. Contudo, não são de excluir danos duradouros, especialmente ao nível do sistema nervoso.

A clínica de Omsk, na Sibéria, onde Nawalny esteve internado fez entretanto saber que já colocou as suas análises à disposição dos colegas alemães, tendo-lhe chegado uma carta de agradecimento destes.

O porta-voz do Governo alemão Steffen Seibert confirmou informações segundo as quais a polícia alemã está a vigiar o quarto de Nawalny e explicou: "Afinal trata-se de um paciente contra quem provavelmente foi cometido um atentado com veneno".
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