Metsola destaca papel de Portugal e Espanha na construção de pontes com África e América Latina
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, destacou hoje a contribuição de Portugal e Espanha para a construção de pontes com África e a América Latina, frisando que ajudaram "a moldar a Europa de forma duradoura".
Num discurso na sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE), que também contou com intervenções do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Rei de Espanha, Filipe VI, Roberta Metsola frisou que, quando os dois países se juntaram ao bloco europeu, "uma página da história foi definitivamente virada e a democracia veio para ficar".
A presidente do Parlamento Europeu salientou que, para os povos de Espanha e de Portugal, "a Europa rapidamente passou a fazer parte do seu quotidiano, moldando a forma como trabalhavam, estudavam, viajavam e imaginavam o futuro das suas famílias".
"Por sua vez, Espanha e Portugal ajudaram a moldar a Europa de forma duradoura. Reforçaram o envolvimento da Europa para além das suas fronteiras, atuando como pontes para a América Latina e África, liderando a abordagem europeia em tantas frentes", destacou.
Metsola afirmou que, nos 40 anos que decorreram desde a adesão, "o Parlamento Europeu trabalhou lado a lado com Espanha e Portugal", frisando que os eurodeputados dos dois países "estiveram no centro deste esforço, ajudando a garantir que a Europa escuta, lidera e cumpre".
Depois, recordando a mensagem de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa e a de Natal do Rei de Espanha, a presidente da assembleia europeia referiu que ambos "regressaram a uma verdade simples: a democracia só perdura quando é cuidada e a paz só existe quando a dignidade é respeitada".
"Isso é uma verdade que diz diretamente respeito à Europa de hoje e orienta o nosso trabalho para o futuro, à medida que o nosso projeto europeu se adapta a um mundo em mudança. A Europa não foi construída para ficar imóvel. Vamos mudar, vamos adaptar-nos e vamos contar com Espanha e Portugal para garantir que estamos preparados para os próximos 40 anos", disse.
Por sua vez, o Rei de Espanha, Filipe VI, destacou que a adesão à CEE foi um "fator decisivo na transformação de Espanha" e no facto de se ter tornado "uma das democracias mais sólidas e avançadas do mundo".
"Não podemos dar a União Europeia (UE) como garantida. Costumamos ser muito críticos em relação ao desempenho das instituições comunitárias. Também não é raro, nos dias de hoje, ouvir comentários sobre a fragilidade da Europa unida, o seu idealismo ultrapassado, a sua desconexão com a realidade", disse.
Considerando o "exercício crítico positivo", porque "é sinal de que a democracia funciona", Filipe VI alertou contudo que "algumas críticas colocam em causa" os princípios e os valores europeus, "sem os quais a Europa voltaria a ser uma mera noção geográfica".
"E é aí, no esquecimento do que representou a construção europeia, que reside a nossa maior ameaça", avisou, recebendo aplausos dos eurodeputados.
O Rei de Espanha defendeu que "a ideia da Europa nunca foi tão necessária como nestes tempos sombrios" e, numa alusão às ameaças do Presidente norte-americano Donald Trump sobre a Gronelândia, frisou que a Europa "defende soluções baseadas em regras e o diálogo como via para resolver conflitos".
"É também a Europa que não pode aceitar, e muito menos legitimar, abordagens geopolíticas de outras épocas como se fossem sinais de um tempo novo", disse, pedindo que se trabalhe na defesa da UE, na sua "autonomia estratégica e no reforço do pilar europeu dentro da Aliança Atlântica".