Mexeu! Libertados leme e popa do Ever Given encalhado no canal do Suez

O presidente da Autoridade do Canal do Suez, no Egito, anunciou que os esforços para desencalhar o porta-contentores de 400 toneladas Ever Given conseguiram libertar a popa e o leme do navio.

RTP /
Pormenor dos trabalhos de dragagem de areia, dia 27 de março de 2021, para libertar a proa do Ever Given, o navio porta-contentores encalhado no canal do Suez Reuters

"A popa do navio começou a mover-se na direção do Suez, um sinal positivo, até às 11 da noite (21h00 GMT) mas a maré vazou significativamente e paramos", explicou aos jornalistas. "Esperamos que a qualquer altura o navio escorregue e saia do local onde está".

Osama Rabie lamentou não poder apesar disso prever uma data para a libertação completa da embarcação, uma das maiores de transporte do mundo, e explicou que ventos e marés fortes estavam a complicar os trabalhos.

"É difícil avançar uma data para resolver o problema", disse Rabie numa conferência de imprensa na sede daquela Autoridade, na cidade de Ismailia, naquela que foi a sua primeira aparição pública perante os jornalistas.

Foram já removidas até sexta-feira 20 mil toneladas de areia em torno da proa do porta-contentores. A empresa holandesa responsável pelo esforço admitiu que no início da próxima semana o Even Given possa ser totalmente libertado, quando começarem a ser utilizados rebocadores mais potentes aguardados para este fim de semana, se se mantiver a dragagem e a maré alta ajudar.

"O nosso objetivo é conseguir isso durante o fim de semana mas para isso tudo terá de correr de forma exata", explicou Peter Berdowski, presidente executivo da Boskalis, a uma televisão holandesa sexta-feira à noite.

A remoção de parte dos 18.300 contentores transportados pelo Ever Given tem sido considerada, de forma a aligeirar o peso e facilitar as manobras, mas Osama Rabie referiu este sábado em conferência de imprensa que não será possível utilizar meios aéreos para essa tarefa.

Berdowski anunciou que vai ser trazida uma grua terrestre para remover pelo menos uns 600 contentores da proa, "caso não seja possível liberta-la até ao início da próxima semana".


"Isso irá atrasar-nos vários dias, porque saber onde deixar todos esses contentores vai ser um puzzle", referiu.
Erro humano
O Ever Given encalhou e atravessou-se no canal do Suez na terça-feira passada, impedindo a utilização da via por centenas de navios de transporte. Há mais de 320 à espera de luz verde para transitar no canal.

O presidente da SCA refere que, apesar da demora, ainda nenhum armador desviou os seus navios para a rota alternativa pelo Cabo da Boa Esperança. E manifestou confiança de que o canal do Suez continuará a ser preferido apesar do incidente.

A investigação já a decorrer irá permitir compreender o que sucedeu exatamente, acrescentou Osama Rabie, para quem os ventos fortes e a falta de visibilidade, associados a uma falha elétrica que tornou o navio ingovernável, não explicam todos os motivos para o navio encalhar.

"Fortes rajadas de vento e fatores meteorológicos não são as únicas razões principais para o encalhe do navio. Outros erros, humanos ou técnicos, também podem ter acontecido", disse.

Um relatório da seguradora francesa Euler Hermes, filial da alemã Allianz, estima que o encerramento do canal pode custar ao comércio internacional, por dia, entre seis mil milhões e dez mil milhões de dólares (entre 5.100 milhões e 8.500 milhões de euros).
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