México enterra 117 corpos não identificados na Ciudad Juárez na fronteira com os EUA

México enterra 117 corpos não identificados na Ciudad Juárez na fronteira com os EUA

As autoridades forenses mexicanas autorizaram o enterro de 117 corpos que permanecem por identificar ou por reclamar, aumentanto para 560 o número de pessoas com o mesmo destino durante o atual governo do estado de Chihuahua (norte do México).

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Jose Luis Gonzalez - Reuters

Os restos mortais correspondem a pessoas falecidas entre 2019 e 2025 e, embora sejam transferidos para sepulturas individuais, as autoridades consideram o enterro como um destino que pode ser temporário, uma vez que o objetivo final continua a ser identificar as pessoas e devolvê-las às famílias.

Héctor Manuel Jacob Hernández, especialista coordenador de Ciências Forenses dos Serviços Periciais da Zona Norte, explicou à agência EFE que, antes de autorizar o procedimento, são realizados os estudos necessários para preservar as informações que permitam uma identificação posterior.

"A decisão de proceder ao enterro é tomada, em primeiro lugar, por questões de saúde e para evitar sobrelotações desnecessárias", salientou.

O responsável indicou que, só após a conclusão dos exames forenses correspondentes, a obtenção dos dados post mortem e o avanço nos processos de investigação é que se autoriza que os corpos sejam sepultudos.

O número de corpos sepultados reflete uma problemática que persiste na cidade fronteiriça mexicana, caracterizada por uma vasta população flutuante e imigração ilegal para os Estados Unidos.

Segundo Jacob Hernández, entre as pessoas que continuam por identificar, poderão até encontrar-se migrantes estrangeiros ou cidadãos provenientes de outros estados do país.

O enterro dos 117 corpos permitirá reduzir a quantidade de restos mortais que permanecem sob a custódia das instalações forenses.

Por detrás de cada corpo enterrado mantém-se em aberto uma investigação e a possibilidade de que, mesmo anos mais tarde, uma identificação permita dar-lhe um nome e devolvê-lo aos familiares.

"O facto de os trazermos para aqui é uma forma digna de os tratar, dar-lhes um destino temporário, se não for o destino final, porque o destino final é junto das famílias", afirmou Jacob Hernández.

Cada corpo é colocado numa vala individual e registada, pelo que pode ser localizado e exumado, caso a sua identidade venha a ser determinada posteriormente.

O tempo que uma pessoa permanece sob custódia antes de chegar a este procedimento varia de acordo com o andamento de cada investigação, salientou o especialista.

Tópicos
PUB