Mikhail Khodorkovsky. Antigo oligarca diz que próximo passo de Putin será atacar países do Báltico

O antigo oligarca russo e agora exilado alertou numa entrevista que o próximo passo de Vladimir Putin pode ser a invasão de países do Báltico, nomeadamente a Estónia, Letónia e Lituânia. Mikhail Khodorkovsky acredita ainda que, se Moscovo decidir enviar mais recrutas para a guerra na Ucrânia, as grandes cidades russas "acabarão em caixões".

RTP /
Segundo Khodorkovsky, "os propagandistas [de Putin] já começaram a preparar a sociedade russa para um ataque aos países da NATO". Tobias Schlie - Reuters

“Temos de perceber que, na sua cabeça, Putin não está em guerra com a Ucrânia. Está em guerra com os Estados Unidos e com a NATO. Ele próprio o disse mais do que uma vez”, disse à CNN Internacional Mikhail Khodorkovsky, antigo magnata do petróleo e considerado o homem mais rico da Rússia em 2003, ano em que Vladimir Putin o acusou de crimes financeiros, conseguindo que acabasse detido por nove anos.

Desde que saiu da cadeia, Mikhail Khodorkovsky tornou-se um crítico do Kremlin e do presidente da Rússia. Segundo o antigo oligarca, “os propagandistas [de Putin] já começaram a preparar a sociedade russa para um ataque aos países da NATO”.

“Estão constantemente a falar disto. E isso é a preparação da opinião pública dos russos para esse ataque”.

No final do mês passado, Khodorkovsky tinha preconizado que a invasão russa da Ucrânia iria acabar com o Governo de Putin. Na recente entrevista à CNN, disse estar preocupado com a possibilidade de o líder russo “enlouquecer” perante a resistência de Kiev, aumentando ainda mais os ataques e atravessando as fronteiras da Ucrânia com países europeus.

“Estou absolutamente convencido de que, se Putin decidir que já ganhou a guerra na Ucrânia, este não será o seu último passo, a sua última guerra. Os próximos passos serão [atacar] os países do Báltico”, alertou.

A Estónia, Letónia e Lituânia, membros da NATO, têm já nos seus territórios tropas norte-americanas enviadas por Joe Biden para reforçar a segurança na região.
"Grandes cidades vão acabar dentro de caixões"
Numa outra entrevista, desta vez ao think tank norte-americano Atlantic Council, Mikhail Khodorkovsky previu que Vladimir Putin possa enfrentar pesadas consequências políticas caso continue a enviar elevados números de recrutas das grandes cidades russas para a Ucrânia, numa altura em que entre sete mil a 15 mil soldados russos terão já morrido na guerra, segundo estimativas da NATO.

Esse cenário de envio de ainda mais militares para a guerra é, para o oligarca exilado, uma possibilidade viável, visto que “o valor da vida humana na Rússia não é tão elevado quanto gostaríamos que fosse”.

“Especialmente quando falamos de pessoas que vivem na região montanhosa do Cáucaso, ou de pessoas que vivem em pequenas localidades”, explicou Khodorkovsky. “Sabendo disto, Putin está a ir buscar soldados precisamente a estas regiões. E paga tanto dinheiro pelas suas mortes que os familiares se veem obrigados a permanecer em silêncio”.

Em meados de março, após vários meses a negá-lo, Moscovo finalmente admitiu ter enviado recrutas jovens para a Ucrânia. Na altura, o ministro russo da Defesa avançou que alguns desses recrutas foram capturados pelas forças ucranianas e garantiu que os restantes iriam regressar à Rússia com efeito imediato.

Mikhail Khodorkovsky diz não acreditar na palavra do Kremlin e alerta que, caso o líder russo decida enviar um grande número de recrutas, “as grandes cidades vão acabar dentro de caixões”, o que “seria um enorme problema para o presidente nas vésperas da transferência de poder, em 2024”.
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