Mil pessoas participaram na primeira marcha de transsexuais no Bangladesh

Dacca, 10 nov (Lusa) -- Mil pessoas participaram hoje numa marcha de transsexuais no Bangladesh, país de maioria muçulmana e conservadora, a primeira desde que o Governo os reconheceu como um terceiro género, há um ano.

Lusa /

Foi cortada a circulação nas ruas habitualmente cheias de Dacca para deixar os manifestantes transsexuais, conhecidos no país pelo nome de `hijras`, desfilar, cantando e dançando perante a multidão.

Os participantes no cortejo, a maioria envergando saris coloridos, transportaram uma grande bandeira do Bangladesh e cartazes em que se lia: "Os dias de estigmatização, de discriminação e dominados pelo medo pertencem ao passado".

"Nunca sonhei assistir a este dia no meu tempo de vida", declarou Sonali, `hijra` de 25 anos.

"Nós somos, por todo o lado, vítimas de discriminação. Somos gozados simplesmente porque não nos sentimos nem homens nem mulheres. Mas agora, é diferente: sentimo-nos como seres humanos normais", acrescentou Sonali.

O Governo da primeira-ministra Sheikh Hasina decidiu em novembro último reconhecer os `hijras` como um terceiro género, garantindo-lhes direitos e autorizando-os a identificar-se como um género específico nos respetivos passaportes e em todos os outros documentos oficiais.

Segundo o executivo, serão perto de 15.000 os transsexuais existentes no Bangladesh, mas, de acordo com os grupos de defesa dos direitos humanos, rondarão os 500.000, numa população de cerca de 156 milhões de habitantes.

No domingo, os `hijras` organizaram um debate sobre os seus direitos e um concurso para os melhores bailarinos e cantores. Um concurso de beleza `hijra` está marcado para o final deste mês.

O responsável regional da ONUSIDA, Leo Kenny, defendeu que se deveria ir mais longe no reconhecimento dos direitos dos transsexuais, nomeadamente no que respeita ao acesso aos serviços sociais.

Outro sinal da abertura do Governo de Sheikh Hasina ao reconhecimento dos direitos das minorias, foi o lançamento, no início deste ano, de uma revista para a comunidade LGBT, que não encontrou qualquer oposição.

 

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