Mil responsáveis debatem Quioto e consequências do tsunami asiático
Mais de mil responsáveis de vários países, entre os quais Portugal, apelaram hoje em Nairobi à protecção do planeta, numa reunião onde deverá ser debatido o Protocolo de Quioto e as consequências do tsunami do sudeste asiático.
"O ambiente não é um luxo", declarou hoje o responsável do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), durante a abertura da reunião que se prolonga até sexta-feira na capital do Quénia.
Portugal está representado por uma responsável e uma técnica do Ministério do Ambiente e pelo embaixador português em Nairobi, disse hoje à Agência Lusa fonte oficial daquele Ministério.
A 23ª reunião anual do PNUA acontece menos de uma semana depois de ter entrado em vigor o Protocolo de Quioto, acordo internacional para reduzir as emissões poluentes responsáveis pelas alterações climáticas.
O encontro dá-se também numa altura em que os países atingidos pelo tsunami de 26 de Dezembro tentam avaliar os danos da catástrofe, que provocou cerca de 290 mil mortos.
Estes dois temas surgem, aliás, no topo da agenda da reunião do PNUA, que vai debater um relatório sobre as melhores práticas em matéria ambiental para fazer face a catástrofes naturais como os tsunamis.
Esse relatório insiste na necessidade de ter "uma ambiente natural estável", as barreiras de coral e os fundos do mar em "condições saudáveis" e acautelar que as zonas costeiras tenham vegetação, segundo o porta-voz do PNUA, Klaus Toepfer, citado pela agência France Press.
Os delegados da reunião deverão ainda debruçar-se sobre as relações entre ecologia, desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.
"A protecção do ambiente não é uma questão de escolha. A sobrevivência da humanidade depende das decisões e acções que tomarmos hoje", afirmou o presidente queniano, Mwai Kibaki, durante a cerimónia de abertura da reunião.
Klaus Toepfer insistiu na ideia de que os serviços ambientais prestados são tão importantes para lutar contra a pobreza como "o capital humano e financeiro".