Milhares aguardavam ainda por assistência dias após sismo que causou 54 mortos na Indonésia
Milhares de pessoas continuavam hoje à espera de ajuda na ilha indonésia de Flores dias depois de um sismo devastador ter provocado pelo menos 54 mortos, dezenas de feridos e danos em centenas de habitações e outros edifícios.
Mais de 1.300 casas sofreram danos quando o sismo atingiu a província de Nusa Tenggara Oriental no sábado, com quase 250 a ficarem completamente destruídas só na ilha de Flores. Cerca de 5.000 pessoas foram forçadas a deslocar-se para abrigos temporários e 135 ficaram feridas, segundo a Agência Nacional de Gestão de Desastres.
O número de pessoas impossibilitadas de regressar às suas casas duplicou de domingo para segunda-feira, fixando-se agora em 12.800 pessoas, indicou à agência France-Presse Berton Suar Pelita Panjaitan, porta-voz dessa agência nacional. O governador da província declarou no domingo o estado de emergência por um período de 14 dias.
O terramoto ocorreu a uma profundidade de 10 quilómetros pouco antes das 06:00 de sábado (10:00 de sexta-feira em Lisboa), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, e os residentes fugiram em pânico devido aos alertas de tsunami que foram emitidos e, mais tarde, levantados.
Desde então, as autoridades registaram pelo menos 995 réplicas, das quais apenas 46 foram sentidas pela população.
A Força Aérea indonésia indicou estar a transportar 13 toneladas de ajuda de emergência por via aérea, a bordo de dois aviões de transporte Hércules e de um Boeing.
Helicópteros foram também destacados para entregar diretamente equipamento de emergência aos sobreviventes de comunidades isoladas, incluindo alimentos, vestuário, água potável e material médico de emergência, reportou a agência de notícias oficial Antara, citando o comandante da base aérea de El Tari, em Kupang (sudeste).
Milhares de pessoas em Flores passaram a noite de domingo para segunda-feira acampadas ao ar livre em tendas de lona perto das suas casas destruídas, temendo o risco de novas réplicas.
Para muitos habitantes, o desastre reavivou memórias dolorosas do violento sismo e tsunami que atingiram Flores em 1992, provocando cerca de 2.500 mortos.
"A minha casa agora é só escombros", disse à Associated Press Rasyid Jafar, um comerciante de vestuário na aldeia de Reo, a zona mais afetada na regência de Manggarai. "Precisamos urgentemente de comida, medicamentos e água potável."
Mais de 3.500 elementos das forças militares e policiais foram destacados para a zona de catástrofe e já foram enviadas 275 toneladas de ajuda humanitária para a região, embora as dificuldades logísticas estejam a atrasar as entregas a algumas das comunidades mais atingidas.
A Indonésia, um arquipélago com mais de 17.000 ilhas, é particularmente propensa a terramotos e erupções vulcânicas devido à sua localização no "Anel de Fogo" do Pacífico, uma faixa em forma de ferradura repleta de falhas sísmicas e vulcões.
Em 2018, um terramoto de magnitude 7,5 desencadeou um tsunami na ilha de Celebes (Sulawesi), provocando mais de 4.400 mortos.
Em 2004, um sismo de magnitude 9,1 ao largo de Sumatra originou um tsunami que vitimou cerca de 230 mil pessoas em mais de uma dezena de países, quase 170 mil das quais apenas na província de Aceh.