Milhares de manifestantes na Argélia celebram aniversário do movimento Hirak
Milhares de manifestantes desfilaram hoje no centro de Argel e em outras cidades argelinas, recordando o segundo aniversário da iniciativa de revolta popular conhecida como Movimento Hirak.
A iniciativa está a ser a mais concorrida desde a suspensão das marchas semanais do Movimento Hirak - em 13 de março de 2020, por causa da pandemia de covid-19 -- tendo obrigado a polícia a fazer várias detenções para impedir o avanço da multidão em direção ao Grande Poste, um emblemático ponto de encontro no centro de Argel.
Lançado em 22 de fevereiro de 2019, o Movimento Hirak, uma iniciativa de protesto popular sem precedentes na Argélia, pressionou o presidente Abdelaziz Bouteflika -- que esteve no poder por duas décadas - a renunciar ao cargo (em abril desse ano).
Hoje, entre as palavras de ordem, os manifestantes dirigiram-se aos governantes, pedindo uma mudança de regime: "Não viemos para o aniversário (do Movimento Hirak), viemos para que vocês saiam", ouvia-se nas ruas de várias cidades argelinas, nas províncias de Annaba, Oran, Béjaïa, Sétif, Bouira, Mostaganem e Constantine, bem como na capital.
"Há um dispositivo policial enorme. Os veículos policiais circulam com faróis e sirenes, criando um clima de medo, um clima de ansiedade. Mas não impediu as pessoas de se manifestarem", disse um jornalista argelino de Oran.
"É uma marcha digna dos grandes dias", disse outro jornalista em Constantine (nordeste).
Em Argel, a polícia montou um impressionante dispositivo de segurança e instalou barreiras para travar o acesso ao centro da capital, usando helicópteros para monitorizar o movimento dos manifestantes.
O Movimento Hirak foi obrigado a suspender as suas marchas semanais em 13 de março de 2020, devido à pandemia de covid-19, mas os ativistas continuam a pedir o desmantelamento do regime em vigor desde 1962, que acusam de estar impregnado de autoritarismo e corrupção.