Milhares de manifestantes protestam em Minneapolis contra política de imigração de Trump
Milhares de manifestantes concentraram-se hoje em Minneapolis para protestar contra as operações realizadas pela agência de imigração norte-americana, que resultaram na morte de dois manifestantes nas últimas semanas.
Os protestos ocorrem em várias zonas dos Estados Unidos, num apelo a uma greve nacional com o lema "sem trabalho, sem escola, sem compras", em protesto contra a repressão da imigração promovida pela administração Trump e depois de Renee Good e Alex Pretti terem sido mortos a tiro, em 07 e 24 de janeiro, respetivamente, durante estas operações.
Em Minneapolis, Estado do Minnesota, os manifestantes marcharam pelas ruas da cidade do norte dos EUA, com cartazes contra o Presidente dos EUA, Donald Trump, e a agência federal de imigração (ICE), que se tornou um foco de tensão na cidade de tendência democrata.
Centenas de pessoas reuniram-se sob o frio intenso hoje de manhã, no Edifício Federal Bispo Henry Whipple, local de protestos frequentes nas últimas semanas.
Após discursos de membros religiosos, os manifestantes marcharam em direção à área restrita do edifício, vaiando uma fila de agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) e dizendo-lhes para "deixarem os seus empregos" e "saírem do Minnesota".
Grande parte do grupo dispersou depois de ter sido ameaçado de prisão pela polícia local por bloquear a rua.
Michelle Pasko, uma profissional de comunicação reformada, disse que se juntou à manifestação depois de testemunhar agentes federais a abordar imigrantes numa paragem de autocarro perto da sua casa em Minnetonka, um subúrbio de Minneapolis.
"Estão a vaguear pelas nossas ruas, estão a ficar em hotéis perto das nossas escolas. Todos neste país têm direitos, e o governo federal parece ter-se esquecido disso. Estamos aqui para os lembrar", frisou.
Algumas escolas no Arizona, Colorado e outros estados cancelaram as aulas preventivamente, antecipando um grande número de ausências.
Muitas outras manifestações foram planeadas para estudantes e outras pessoas se reunirem em centros urbanos, assembleias legislativas estaduais e igrejas por todo o país.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) anunciou hoje a abertura de uma investigação federal por possíveis violações de direitos civis na morte de Alex Pretti, abatido a tiro por agentes de imigração em Minneapolis.
O Departamento de Segurança Interna indicou também hoje que o FBI (polícia federal) vai liderar a investigação federal, após inicialmente ter sido anunciado que a Divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI) conduziria o inquérito.
Em paralelo, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), agência do Departamento de Segurança Interna, está a realizar a sua própria investigação interna ao tiroteio, durante o qual dois agentes abriram fogo contra Pretti.
Vários vídeos divulgados posteriormente contradizem esta versão, mostrando que o enfermeiro de 37 anos tinha apenas um telemóvel na mão quando foi derrubado no chão, com um agente a retirar uma pistola da parte de trás das calças de Pretti enquanto outro disparava nas suas costas.
Pretti tinha uma licença estadual para transportar legalmente uma arma de fogo.