Milhares de pessoas no 30º aniversário do massacre do Soweto

Milhares de sul-africanos, inclu indo o presidente Thabo Mbeki, assinalaram hoje o 30º aniversário da marcha de a lunos negros do Soweto contra o sistema de ensino do "apartheid", em que dezenas de crianças foram mortas pela polícia.

Agência LUSA /

A marcha de 16 de Junho de 1976, no Soweto, um bairro dos subúrbios de Joanesburgo, deu origem a um levantamento contra o regime do "apartheid" que lev ou à morte de centenas de pessoas no ano seguinte.

Thabo Mbeki juntou-se a centenas de pessoas que marcharam hoje no Sowet o, incluindo "veteranos" de 1976, o ministro-chefe da província de Gauteng, Sam Shilowa, o presidente da Câmara de Joanesburgo, Amos Masondo, e Winnie Madikizel a-Mandela, ex-mulher do antigo presidente Nelson Mandela.

O presidente sul-africano integrou-se na caminhada entre a escola Morri s Isaacson - onde a manifestação se iniciou em 16 de Junho de 1976 - até ao Memo rial de Hector Pieterson, a criança que se viria a tornar o rosto mais famoso en tre as vítimas da carga policial que dispersou a manifestação, no que ficou conh ecido como o massacre do Soweto.

Depois, ao dirigir-se a mais de 50 mil pessoas reunidas num estádio do Soweto, Mbeki saudou "acção heróica" dos jovens de 1976, que "aceleraram a march a pela liberdade" alcançada em 1994.

Thabo Mbeki pediu que o exemplo de "coragem e determinação" da juventud e de 1976 seja seguido pelos jovens de hoje na África do Sul, que "se confrontam com os desafios da pobreza, do desemprego, do álcool, da droga e da sida".

"Os jovens devem assumir a liderança honrando os princípios constitucio nais porque, ao fazê-lo, estarão a garantir progressos na luta por um futuro mel hor para o seu país", disse Thabo Mbeki, que exortou também todos os adultos a c riarem condições para que os jovens cresçam num ambiente saudável e democrático.

A manifestação de 1976 reflectia fundamentalmente a oposição das crianç as negras à aprendizagem compulsória do afrikaans nas escolas.

A brutalidade policial contra crianças de tenra idade que foram baleada s praticamente à queima-roupa, levantou um coro de protestos no mundo livre, que viria a intensificar as sanções contra o regime minoritário branco.

Hector Pieterson, uma criança de 12 anos morta nos braços de uma colega que fugia da carga policial, tornar-se-ia a face do massacre numa fotografia qu e viria a ser publicada um pouco por todo o mundo no dia seguinte à tragédia.

O memorial com o nome desta criança é hoje um local obrigatório de roma gem para todos os que visitam pela primeira vez o bairro do Soweto, onde vivem m ais de dois milhões de pessoas.

Feriado nacional na África do Sul, o 16 de Junho celebra a juventude e a sua contribuição para a libertação do país do regime do "apartheid".

Nos meses que se seguiram a massacre do Soweto, o movimento contra o si stema espalhou-se a todo o país e mais de cinco centenas de pessoas foram mortas em inúmeras manifestações semelhantes àquela que levou à morte de Hector Pieter son e pelo menos 23 outros estudantes no fatídico dia 16 de Junho.

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