Milhares manifestam-se contra expulsão de ciganos
Milhares de pessoas manifestaram-se em Paris e noutras 130 cidades e vilas francesas para protestar contra a deportação de ciganos romenos e búlgaros, pelo Governo de Nicholas Sarkozy. A polícia estima que a manifestação de Paris tenha tido cerca de 77.000 participantes, mas os organizadores afirmam que estiveram presentes mais de 100.000 pessoas.
Ao som de assobios e tambores, estudantes, anarquistas e sindicalistas, marcharam ao lado de ciganos, imigrantes ilegais e outros, para rejeitar as politicas do Presidente Sarkozy.
Dirigindo-se à manifestação, a actriz Jane Birkin disse que compete ao público francês erguer-se para defender os direito do povo Roma (cigano) .
"Estamos a afastar um povo que tem uma história de ser afastado", disse a actriz, "temos de os defender porque voz deles não chega. Nós temos uma voz maior do que a deles. Temos de os apoiar" concluiu.
Entrevistado pela BBC, um dos manifestantes de Paris, Visier Flarent, acusou o Governo de "tentar expulsar de França pessoas só porque vivem na rua". Segundo este manifestante, o Governo quer "dividir o povo francês" por causa das dificuldades económicas que o país atravessa".
Mais a Sul, na cidade de Toulouse, o presidente local da Liga dos Direitos Humanos, Pascal Nakache, disse que o Governo tinha ido longe de mais.
"Há muita gente, para além da habitual base militante, que está profundamente chocada e quer manifestar a sua exasperação e a sua recusa a esta política incendiária e xenófoba", disse.
Além destes protestos em França realizaram-se também manifestações de solidariedade noutros países. Em Lisboa e Bruxelas, as concentrações de protesto tiveram lugar em frente das respectivas embaixadas francesas e em Barcelona, junto ao consulado. Belgrado, capital da Sérvia e Budapeste, capital da Hungria não foram excepção à onda de solidariedade internacional.
Vaga de expulsões
A campanha de desmantelamento dos campos Roma e de deportação dos ocupantes, faz parte de um reforço das medidas de segurança anunciado por Nicholas Sarkozy, no seguimento de vários incidentes violentos que tiveram como alvo a polícia e envolveram, em alguns casos, ciganos franceses.
Cerca de 1000 ciganos foram deportados no mês passado de França, e devolvidos á Roménia e à Bulgária, e as estatísticas mostram que, no ano passado, 11.000 pessoas de etnia Roma foram expulsas do país.
Em França as sondagens indicam que pelo menos 65 por cento da população apoia a politica governamental, no que respeita ao repatriamento dos ciganos estrangeiros.
Segundo as regras da União Europeia, um estado pode expulsar pessoas que se encontrem no país há pelo menos três meses sem trabalhar, ou que constituam um fardo social. Também podem ser expulsas, nos primeiros três meses após a chegada ao país, as pessoas que forem consideradas uma ameaça à segurança pública.
No entanto, as expulsões estão longe de ser pacíficas e provocaram dissensões no seio do próprio Governo francês e criticas do Vaticano, da ONU e da União Europeia.
Há poucos dias, a Comissão Europeia criticou a França, dizendo que não houve ênfase suficiente nas condições individuais das pessoas que foram objecto das medidas de expulsão.
Na próxima semana o Parlamento Europeu deve reunir-se para discutir a situação do povo Roma na Europa.