Milhares manifestam-se na Polónia contra proposta de lei do aborto mais restritiva

Varsóvia, 18 jun (Lusa) -- Milhares de pessoas manifestaram-se hoje no centro de Varsóvia contra uma proposta de lei que visa proibir quase completamente o aborto na Polónia, onde a lei em vigor é já uma das mais restritivas da União Europeia.

Lusa /

"Eu existo, eu penso, eu decido", gritaram os participantes na "Marcha pela dignidade", alguns com cartazes com a frase "os direitos das mulheres são direitos humanos", constatou um jornalista da agência France Presse.

A manifestação foi organização pelo grupo "Dziewuchy Dziewuchom (As mulheres pelas mulheres)", criado na rede social Facebook no início do ano e que já tem mais de 100.000 membros.

Datando de 1993, a legislação polaca atual autoriza a interrupção voluntária da gravidez em caso de risco para a vida ou saúde da mãe, patologia grave e irreversível no embrião e violação ou incesto.

Várias organizações que se opõem ao aborto apresentaram ao parlamento, com o apoio da igreja católica e dos conservadores no poder, um texto ainda mais restritivo, que se for aprovado só permitirá a interrupção voluntária da gravidez quando estiver em causa a vida da mãe. Pretende ainda aumentar de dois para cinco anos a pena máxima para quem fizer um aborto ilegalmente.

Para ser debatida no parlamento, a proposta de lei deve contar com 100.000 assinaturas, recolha que continua até ao final de junho.

Uma sondagem publicada em março indicou que 51% dos polacos defendia, ao contrário, uma liberalização da lei atual.

Menos de 2.000 abortos legais são realizados anualmente na Polónia, ignorando-se o número das interrupções voluntárias da gravidez clandestinas feitas no país ou o das mulheres que se deslocam à Áustria, Alemanha ou Eslováquia com esse objetivo. As organizações de defesa dos direitos das mulheres estimam-nos entre 100.000 e 150.000.

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