Milhares marcam presença no funeral de Ratko Mladic, UE critica "glorificação"

Milhares marcam presença no funeral de Ratko Mladic, UE critica "glorificação"

"Carniceiro da Bósnia" morreu na prisão onde cumpria pena de prisão perpétua pelo papel no massacre de Srebrenica. Em Belgrado, foi homenageado como um herói nacional.

Guilherme de Sousa - RTP / Adicionar como fonte informativa
Andrej Cukic/EPA

Milhares de pessoas mobilizaram-se esta segunda-feira em Belgrado para marcarem presença no funeral do general Ratko Mladic, condenado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Conhecido como o “carniceiro da Bósnia”, Mladic morreu no final de agosto, aos 84 anos, em Haia, nos Países Baixos, onde cumpria uma pena de prisão perpétua pelos crimes cometidos durante a guerra nos balcãs nos anos de 1990.

Em Belgrado, foram milhares as pessoas que se deslocaram até à igreja ortodoxa de São Lucas para se despedir do antigo chefe militar, num ambiente descrito pela agência France Presse (AFP) de funeral de Estado. No interior da igreja, seis soldados posicionaram-se em frente ao caixão, coberto com a bandeira sérvia e onde sobressaía a sua fotografia, as medalhas militares e a boina.

Assim que se soube da morte de Mladic, o ministro da Justiça sérvio chegou a anunciar “honras militares e de Estado” para o antigo general, mas o chefe de Estado não autorizou. Comissão Europeia critica “glorificação”
Em Bruxelas, ao testemunhar o aparato e a dimensão das homenagens, a União Europeia criticou. Em comunicado, o porta-voz da UE para os Negócios Estrangeiros Christian Wigand recordou que Ratko Mladic "foi um criminoso de guerra condenado, responsável pela prática de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade".

"Morreu enquanto cumpria uma pena de prisão perpétua por crimes contra a humanidade e pelo genocídio de Srebrenica", salientou, lembrando que, em 2017, o Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia condenou Mladic a "prisão perpétua, descrevendo os seus crimes como estando entre os mais hediondos" na história da humanidade.

"Qualquer glorificação de criminosos de guerra, negação de genocídio ou revisionismo histórico contradiz os valores europeus mais fundamentais e não tem lugar na UE nem nos países candidatos à adesão à UE", defendeu.

Para a UE, "a reconciliação e as boas relações de vizinhança nos Balcãs Ocidentais continuam a ser fundamentais para construir um futuro partilhado".

O porta-voz acrescentou que a UE é "parceira de todos os países dos Balcãs Ocidentais, apoiando os seus esforços para promover a reconciliação e a estabilidade regional, bem como para encontrar e aplicar soluções definitivas e inclusivas" para questões litigiosas que ainda os opõem. “Herói nacional”
Na capital sérvia, alguns participantes no funeral quiseram despedir-se do general deposto nos anos 1990. “Estou aqui para me despedir do general, um herói nacional”, disse à AFP uma admiradora. "Não nos conseguiram vencer no campo de batalha, por isso mandaram-no para a prisão e torturaram-no lá em vez disso", acrescentou.

Entre 1992 e 1995, a guerra na Bósnia provocou mais de 100 mil mortos e 2,2 milhões de deslocados, segundo estimativas das Nações Unidas. Rakto Mladic foi detido em 2011, após dezasseis anos em fuga. Foi considerado culpado de genocídio pelo seu papel em Srebrenica, em julho de 1995, o pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

C/ agências

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