Militar acusado de massacre na ditadura argentina é extraditado
São Paulo, 14 out (Lusa) - O Brasil extradita hoje o militar reformado argentino Norberto Raúl Tozzo, que deverá chegar na madrugada de sexta-feira em Buenos Aires para responder a um processo por alegada participação num massacre ocorrido em 1976.
Tozzo, de 66 anos, será levado sob forte dispositivo de segurança ao aeroporto Antonio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, onde será entregue a oficiais da divisão argentina da Interpol, que o acompanharão durante o trajeto.
Ele embarcará às 21:30 locais (1:30 de sexta-feira em Lisboa) num voo da companhia aérea brasileira TAM. O avião deverá aterrar em Buenos Aires três horas depois.
O militar foi preso em 2008 no Rio de Janeiro, onde vivia sob identidade falsa. A sua extradição para a Argentina foi aprovada em maio deste ano pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro.
O militar é acusado de participar no fuzilamento de 22 presos políticos, na maioria jovens peronistas, ocorrido a 13 de dezembro de 1976, na província argentina do Chaco. Este episódio da ditadura argentina ficou conhecido como "O Massacre de Margarita Belén".
Se for condenado, Tozzo poderá ser condenado a prisão perpétua, já que a participação nos desaparecimentos durante a ditadura militar é considerada crime contra a humanidade na Argentina.