Militares russos ensaiam a bomba de vácuo mais potente do mundo

A Rússia ensaiou a bomba de vácuo mais potente do mundo, equiparável a um projéctil nuclear, mas sem contaminar o ambiente, noticiou hoje o canal 1 da televisão russa.

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A nova bomba tem "potencial e eficácia equiparáveis às de um projéctil nuclear, mas, sublinho que, ao contrário deste último, não contamina o meio ambiente", declarou Alexandre Rukchin, vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Rússia.

A carga explosiva desta bomba que, por enquanto, não tem nome oficial, mas um código secreto, é bem mais potente do que o trotil graças ao uso de nanotecnologias.

Esta nova arma permitirá substituir toda uma série de armas nucleares de baixa potência desenvolvidas até agora.

"Temos um projéctil relativamente barato com alto potencial destrutivo", declarou Iúri Baliko, colaborador de um centro de investigação militar russo.

O Ministério da Defesa russo sublinha que a Rússia não violou nenhum acordo com a criação da nova arma.

Até agora, a Força Aérea dos Estados Unidos possuía a mais potente bomba de vácuo. Ensaiada em 2003, essa arma recebeu o nome de "mãe de todas as bombas".

Por analogia, os engenheiros russos chamaram à sua invenção "pai de todas as bombas": o seu fabrico exige menor quantidade de materiais explosivos, mas é vinte vezes superior ao projéctil norte-americano quanto à superfície de destruição, quatro vezes mais potente e gera uma temperatura duas vezes superior no epicentro da explosão.

"A nova arma garante a segurança do Estado e, ao mesmo tempo, permite enfrentar o terrorismo internacional em qualquer região e em qualquer circunstância", sublinhou o general Rukchin.

Segundo os analistas militares, este anúncio deve ser visto à luz dos acontecimentos ocorridos depois do discurso do presidente russo, Vladimir Putin, em Munique, a 10 de Fevereiro, numa conferência sobre segurança internacional. Depois disso, o Kremlin anunciou que poderia abandonar alguns acordos sobre redução de armamentos e começar a produzir novas armas.

Em Abril passado, foi lançado à água o novo submarino nuclear "Iúri Dolgoruki", tendo sido então anunciado que a Armada russa receberá mais oito submarinos da mesma classe até 2017.

Um mês depois, o submarino "Iúri Dolgoruki" lançou o míssil "Bulava-M", cujo fabrico em série começou a seguir.

Em Agosto, Putin anunciou o reinício dos voos de bombardeiros russos de longo alcance.

"Todos os acontecimentos que agora ocorrem na Rússia devem ser analisados no plano do início da campanha eleitoral. Dizem que se trata de publicidade pessoal do primeiro-vice-primeiro-ministro Serguei Ivanov", considerou Vladimir Evseev, analista do Centro de Segurança Internacional do Instituto da Economia Mundial e Relações Internacionais de Moscovo.

Hoje, o diário Vedomosti noticiou que Vladimir Putin pretende nomear Serguei Ivanov primeiro-ministro, tornando-o assim o mais provável candidato a sucedê-lo à frente da Rússia.

Além disso, para Vladimir Evseev, trata-se de um dos passos dados pela Rússia "para tentar convencer o Ocidente de que é preciso tomá-la em conta".

Moscovo tem revelado descontentamento face a processos como o alargamento da NATO ao Leste da Europa ou como a instalação de sistemas de defesa anti-míssil norte-americanos nesta região.

Porém, o analista russo chama a atenção para um factor fundamental: "Na realidade, não existe nenhuma arma milagrosa e tudo o que é feito tem análogos. A Rússia não pode criar algo exclusivo, pelo simples facto de que, se se comparar os orçamentos militares russo e americano, este último é muito maior".

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