Ministério da Saúde do Brasil contra utilização de fármacos sem eficácia contra a covid-19

O Ministério da Saúde brasileiro informou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, amplamente defendidos pelo presidente, Jair Bolsonaro, não devem ser utilizados em pacientes hospitalizados com covid-19.

Lusa /
O Ministério da Saúde brasileiro tenta travar a administração de medicamentos de eficácia duvidosa no tratamento da covid-19 George Frey-Reuters

O conteúdo do parecer foi conhecido, após ter sido enviado à CPI que decorre no Senado e que investiga alegadas falhas do governo na gestão da pandemia, como a demora na recusa na compra de imunizares, supostas irregularidades em contratos para aquisição de vacinas e defesa de medicamentos sem comprovação contra a covid-19.

O documento treveste-se de um cariz técnico da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do Sistema de Saúde (Conitec) e foi enviado em resposta a um requerimento do senador Humberto Costa.

De acordo com a Conitec, os medicamentos do chamado "kit covid" foram testados e não mostraram benefícios clínicos.

"Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem o seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população", lê-se no documento.

Essas diretrizes, conforme indicado na nota, foram aprovadas por unanimidade pelos membros da Conitec em maio e "devem ser seguidas nos serviços de saúde, públicos ou privados, que prestam atendimento a pacientes diagnosticados com covid-19".

O parecer traduz um recuo do Ministério da Saúde, que desde o início da pandemia recomendava o uso medicamentos sem eficácia contra a doença, na mesma linha do que Bolsonaro defende.

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