Ministério dos Transportes angolano criou comissão de inquérito ao acidente do avião da TAAG
O Ministério dos Transportes angolano anunciou a criação de uma comissão de inquérito para apurar as causas do acidente do avião da TAAG em Mbanza Congo, província do Zaire, foi hoje noticiado.
O anúncio foi feito ao Jornal de Angola pelo vice-ministro dos Transportes para a Aviação Civil, Hélder Preza, depois de ter visitado o local do acidente, juntamente com uma comissão de emergência composta por médicos, altos funcionários da TAAG e da Empresa Nacional de Navegação Aérea.
Questionado sobre a possibilidade de os voos para a província do Zaire serem interrompidos, Hélder Preza disse ao Jornal de Angola que ainda é "cedo para avançar com qualquer medida".
"A não ser que se prove que efectivamente aquela pista não está em condições, o que não me parece que seja a situação", acrescentou.
Quanto às causas do acidente, o vice-ministro disse que "no calor da emoção, não é conveniente fazer julgamento de valores sobre as eventuais causas".
"Vamos deixar os peritos trabalharem. Acredito que eles revelarão as razões do acidente", afirmou.
Em declarações à agência de notícias angolana ANGOP, o governante disse que "os técnicos estão a trabalhar, já têm a caixa negra, e a seu tempo concluirão este caso".
Entretanto, a TAAG contratou quatro psicólogos para darem apoio às famílias das vítimas, aos sinistrados e à tripulação da aeronave acidentada, adianta hoje a ANGOP.
"Em situações do género não basta o apoio material, pois as pessoas podem padecer de alguns distúrbios psicológicos por um longo período, daí a necessidade do acompanhamento de psicólogos", disse aos jornalistas o administrador da TAAG para a Área Operacional, Luís Serra Van-Dúnem, citado pela ANGOP.
Um Boeing 737, que fazia o percurso Luanda-Mbanza Congo com 78 passageiros a bordo, despenhou-se perto das 14:00 no aeroporto de Mbanza Congo, província do Zaire.
Segundo a ANGOP, o aparelho iniciou a aterragem no meio da pista, tendo os pilotos perdido o controlo do avião que embateu contra duas residências e três carros e ficou dividido em duas partes.
Do acidente resultaram cinco mortos e vários feridos, segundo Van-Dúnem.
O aeroporto de Mbanza Congo é um dos 17 em Angola que não tem serviço de controlo de tráfego aéreo.
Em entrevista ao Jornal de Angola, o presidente da Associação dos Controladores de Tráfego Aéreo, Francisco Almeida de Carvalho, disse que o que se presta nesses aeroportos é um auxílio aos pilotos, o chamado "serviço de informação de tráfego de aeródromo".
O responsável disse ainda que, em Angola, apenas os aeroportos de Luanda e Cabinda estão contemplados com o serviço de controladores de tráfego aéreo.
O trabalho do controlador é orientar os aviões, evitando que colidam entre si ou contra obstáculos, quer no ar, quer nos aeroportos, e garantir o escoamento seguro e ordenado tráfego aéreo.
Segundo a Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA) o aeroporto da cidade de Mbanza Congo nunca tinha registado qualquer acidente aéreo.