Ministro da Justiça envolvido no escândalo que derrubou Palocci- Revista
O ministro brasileiro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, foi envolvido directamente no escândalo que há dez dias provocou a demissão do ministro das Finanças, Antonio Palocci, pela revista Veja, na sua edição de hoje.
"O ministro (da Justiça) foi cúmplice", escreve a revista, afirmando que Márcio Thomaz Bastos ajudou Palocci a encobrir o crime de violação do sigilo bancário do caseiro de uma mansão em Brasília frequentada por prostitutas e empresários que mantinham negócios obscuros com o governo.
O sigilo bancário de Francenildo Costa foi violado depois deste ter denunciado numa comissão de investigação do Congresso que o ex-ministro das Finanças frequentava o local onde trabalhava.
Antonio Palocci negou várias vezes ter frequentado a referida mansão, mas o caseiro sustentou que o viu nas festas.
A quebra ilegal do sigilo de Francenildo Costa ocorreu após suspeita de que este pudesse ter recebido dinheiro para incriminar o então ministro das Finanças.
Os dados bancários do caseiro, que recebera recentemente um depósito de 25 mil reais (9,54 mil euros), valor demasiado elevado para um trabalhador no Brasil, foram publicados na imprensa brasileira.
O escândalo levou Antonio Palocci a deixar o Ministério das Finanças e, esta semana, o ex-ministro foi indiciado pela Polícia Federal pela violação do sigilo bancário do caseiro.
Segundo a "Veja", além de um alto funcionário do Ministério da Justiça estar na casa de Palocci quando o ex- ministro recebeu o extracto da conta bancária de Francenildo Costa, o próprio Thomaz Bastos também esteve envolvido directamente nas tentativas de encobrir o crime da violação do sigilo.
"Márcio Thomaz Bastos foi à residência oficial do ex- ministro da Fazenda com uma missão ainda mais imprópria:
descobrir uma maneira de encobrir a participação da cúpula do governo no crime", denuncia a revista.
Esse encontro teria ocorrido, segundo o texto da "Veja", no dia 23 de Março, quatro dias antes da renúncia de Palocci.
A revista diz ainda que nessa reunião, que contou também com a participação do ex-presidente da Caixa Económica Federal (CEF), Jorge Mattoso, e do advogado Arnaldo Malheiros Filho, foi discutido o que seria contado à Polícia Federal.
Além disso, foi analisada a possibilidade de um funcionário da CEF, onde Francenildo Costa tinha sua conta, assumir a responsabilidade pelo escândalo a troco de um milhão de reais (385 mil euros).
Nesse caso, Palocci e Mattoso poderiam manter seus cargos.
A possível participação de Bastos nesse episódio que provocou a queda do poderoso ministro das Finanças já havia sido levantada por políticos da oposição, que estavam a estudar a possibilidade de convocar o ministro da Justiça para prestar esclarecimentos no Congresso Nacional.
Márcio Thomaz Bastos adiantou-se e já se colocou à disposição do Parlamento para falar sobre o caso.
O ministro da Justiça deverá ser ouvido pelos parlamentares brasileiros após o feriado da Páscoa.