Ministro da Justiça francês culpa extrema-esquerda por morte de estudante

Ministro da Justiça francês culpa extrema-esquerda por morte de estudante

O ministro da Justiça francês culpou hoje a extrema-esquerda pela morte no sábado de um jovem estudante, de 23 anos, alegadamente próximo do movimento nacionalista e vítima de um ataque na quinta-feira em Lyon (centro-leste de França).

Lusa /

"Foi a extrema-esquerda que o matou, isso é inegável", disse Gérald Darmanin à imprensa, acrescentando existirem "discursos políticos, particularmente os da [partido político] França Insubmissa e da extrema-esquerda, que infelizmente levam (...) à violência extrema nas redes sociais e no mundo físico".

Segundo o grupo de extrema-direita Némésis, o estudante Quentin Deranque foi atacado na quinta-feira por "ativistas antifascistas" por integrar a equipa de segurança que o protegia durante um protesto contra uma conferência realizada por Rima Hassan, eurodeputada do França Insubmissa (LFI na sigla em francês, extrema-esquerda).

O Némésis indicou concretamente a organização "Jovem Guarda Antifascista", fundada pelo atual deputado da LFI Raphaël Arnault e dissolvida por decreto governamental em 2025.

O jovem, que estava em morte cerebral desde o dia da agressão, morreu no sábado, tendo a Procuradoria de Lyon aberto uma investigação por "violência agravada".

Hoje, a Procuradoria de Lyon indicou estar a procurar identificar os "autores diretos" do ataque, afirmando ter conseguido reunir "diversos depoimentos relevantes", e anunciou uma conferência de imprensa para segunda-feira.

O caso causou tensão política e interrompeu campanhas em Lyon, a terceira maior cidade do país, para as eleições autárquicas marcadas para daqui a um mês.

Líderes da direita e da extrema-direita fizeram inúmeras acusações contra o LFI, cujo líder, Jean-Luc Mélenchon, expressou hoje a solidariedade do partido em relação à "família e entes queridos" do estudante e reiterou a sua "oposição à violência".

"Todos os relatos que têm circulado nas últimas horas não têm qualquer fundamento", acrescentou, adiantando: "Somos nós que estamos a ser atacados".

Segundo o coordenador do partido, Manuel Bompard, vários escritórios do LFI foram vandalizados desde quinta-feira em "Paris, Rouen, Metz, Castres, Bordéus, Lille, Montpellier e Toulouse".

O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu no sábado "calma, moderação e respeito", expressando o seu desejo de que "os autores desta ignomínia" sejam condenados.

Hoje à tarde, dezenas de pessoas reuniram-se em frente à Universidade Sorbonne, em Paris, para exigir "justiça para Quentin".

Entre os presentes, estavam algumas figuras da extrema-direita francesa, como a eurodeputada Marion Maréchal (sobrinha da líder da extrema-direita Marine Le Pen e neta de Jean-Marie Le Pen) e Éric Zemmour, líder do micropartido Reconquista.

Marine Le Pen pediu ao governo que considerasse os agressores de Quentin como "milícias terroristas".

Tópicos
PUB