Ministros da Defesa da UE apelam ao reforço da capacidade militar dos 25

Os ministros da Defesa da União Europeia (UE), reunidos hoje em Lineham, sudoeste de Inglaterra, anuíram na necessidade de os 25 redobrarem esforços no sector militar se quiserem ser actores de primeiro plano na cena internacional.

Agência LUSA /

"A UE tem de trabalhar em conjunto para agilizar a mobilização de forças, a sua eficácia e capacidade para enfrentar os desafios da actualidade", afirmou o titular britânico da Defesa, John Reid, à margem daquela reunião informal.

"Teremos de investir muito mais na investigação e gerir melhor os orçamentos da Defesa", explicou aos jornalistas, parafraseando um chavão com que concordam todos os seus colegas.

A francesa Michèle Alliot-Marie insistiu junto dos seus homólogos, tendo em conta as dúvidas sobre a construção europeia levantadas com os chumbos gaulês e holandês ao Tratado Constitucional, no imperativo de "dourar" a imagem comunitária enquanto "potência" mundial.

Para Paris, "a defesa europeia é um dos grandes vectores" para a melhoria da imagem em causa e, por isso, quer que lhe seja dada "maior visibilidade", salientou a ministra, instando os 25 a "redobrar esforços".

Com o desejo de fazer gala da sua capacidade, a presidência semestral britânica da UE pôs à disposição dos ministros meios excepcionais, apresentando uma simulação em tempo real de uma operação de apoio aéreo a uma intervenção em terreno hostil, com o objectivo de mostrar o que pode ser feito.

Na pista da base da Royal Air Force em Lyneham, os ministros puderam assistir ao sobrevoo de helicópteros de transporte Chinook e de ataque Apache, de aviões de carga C-17 e C-130, bem como de caças do tipo Harrier.

A reunião de Lyneham ocorre num momento em que se multiplicam os apelos para a UE reforçar a sua capacidade militar, num cenário de constrangimentos orçamentais para a maioria dos países-membros.

Num duro relatório divulgado quarta-feira, dois generais na reforma que desempenharam altas funções na Aliança Atlântica (NATO) vincaram a necessidade de os 25 coordenarem melhor a sua defesa se quiserem estar à altura de novos desafios como o terrorismo.

A UE participa nomeadamente numa missão de paz na Bósnia, a maior de sempre, e está envolvida em diferentes graus noutras em todo o mundo, com destaque a província indonésia de Aceh (norte de Samatra) e África.

Mas persistem importantes lacunas militares, por exemplo em termos de aviação de transporte, ou de sistemas de comando, devido à penúria dos orçamentos da Defesa.

Uma dezena de países - Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Polónia, Portugal e Suécia - aceitaram hoje formar, sob os auspícios da Agência Europeia de Defesa (AED), um grupo "ad hoc" sobre os aviões de reabastecimento em voo, outra lacuna evidente.

Os ministros concordaram finalmente em aprovar um "código de conduta" voluntária entre os estados-membros, destinado a abrir à concorrência o mercado das compras de equipamento para defesa.

Está prevista a vigência deste código já a 21 de Novembro, como um "estímulo à concorrência que, em contrapartida, representará uma mais-valia para o contribuinte, reforçando por outro lado a indústria europeia de defesa", concluiu o alto representante para a Política Externa e de Segurança Comum (PESC) da UE, Javier Solana.

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