Missão Artemis I. NASA volta a recolher ao hangar o foguete SLS

O último ensaio preso do lançador SLS (Sistema de Lançamento Espacial) da missão Artemis, que visa voltar a colocar novos astronautas na Lua, voltou a apresentar problemas. Esta foi a terceira tentativa de carregar propulsores no SLS para um novo ensaio de contagem regressiva, mas uma fuga de hidrogénio obrigou à paragem e decisão de regresso do foguete aos hangares.

RTP /
Foto: NASA/DR

Desde o início deste mês que a NASA tem realizado várias tentativas, sem sucesso, nos ensaios para o lançamento da missão Artemis I. Um ensaio geral que inclui abastecimento com combustível e uma contagem regressiva até os últimos 10 segundos (T-10). Um teste em tudo igual àquele que se realizará na partida, mas este sem ligar os motores.

O ensaio começou logo de manhã devido ao fornecimento de gás nitrogénio no bloco usado para apoiar as operações de tanque, que fez com que aumentasse a temperatura no depósito aquando o carregamento lento de oxigénio liquido.

Após a solução do problema, que a agência não descreveu imediatamente, cerca de três horas depois, foi reiniciado o carregamento de oxigénio líquido. Mas por volta das 13h, o hidrogénio líquido começou a sair para o estágio central, de acordo com atualizações fornecidas por uma conta do Twitter da NASA.

Foto: NASA/DR

O processo assim que foi detetado foi interrompido, pois os engenheiros aperceberam-se de um aumento na pressão ao passar do enchimento lento inicial do propelente para o enchimento rápido.

Neste ponto, o tanque de oxigénio líquido do estágio central estava 49 por cento cheio, mas o tanque de hidrogénio líquido estava apenas cinco por cento cheio.

Com mais um problema entre mãos, a NASA mandou cancelar o ensaio e esvaziar o depósito central do lançador. E o foguete recebeu ordens de regresso ao hangar para ser inspeccionado e reparado.

Não é ainda claro quando a NASA vai voltar novamente a realizar este tipo de ensaio do SLS. A agência espacial norte-americana disse apenas que não prosseguiria com o estágio terminal da contagem regressiva e, em vez disso, “avaliará os próximos passos após as operações”.

Apesar de mais um adiamento, este teste foi o que chegou mais longe no que está previsto para o ensaio geral.

De recordar que o primeiro, a 3 de abril, parou antes que o carregamento do propulsor pudesse começar . O segundo, no dia seguinte, também encheu o tanque de oxigénio líquido no estágio central para cerca de 50%, mas parou antes que o carregamento de hidrogénio líquido pudesse começar por causa de uma válvula mal configurada no lançador móvel.

Após a segunda tentativa, os técnicos descobriram a válvula de retenção de hélio com defeito no estágio superior, e prosseguiram com um plano modificado para o ensaio preso que não envolvia encher os tanques daquele estágio com propulsores .

“Acreditamos que seremos capazes de cumprir a maioria dos nossos objetivos de teste, para obter um conjunto de dados razoavelmente bons”, disse Charlie Blackwell-Thompson, diretor de lançamento da NASA Artemis, no dia 11 de abril em conferência de imprensa.

Agora o foguete SLS, de 98 metros de altura, incluindo a cápsula Orion na ponta, que está estacionado na plataforma 39B do centro espacial Kennedy vai, segundo a NASA, a partir do dia 26 de abril, voltar ao hangar onde será reparado.

Foto: NASA/DR

Questionado sobre a data de lançamento da missão não tripulada Artemis 1, Tom Whitmeyer disse que "a janela programada para os primeiros dias de junho seria um desafio".

Isto porque as janelas de oportunidade para realizar o voo teste em volta da Lua estão um pouco condicionadas, devido às posições relativas da Terra e da Lua, além do tempo que o foguete leva para voar num eclipse, já que exige luz solar para manter sua regulação térmica.

O atraso da missão Artemis 1 terá obrigatoriamente um efeito cascata nas missões seguintes e programadas pela NASA: Artemis 2, com o primeiro voo não tripulado ao redor da Lua, e Artemis 3, missão tripulada que incluirá a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pousar em solo lunar.



A NASA diz na página da missão que "usaremos o que aprendemos dentro e ao redor da Lua para dar o próximo salto gigante: enviar os primeiros astronautas a Marte", ainda previsto para o ano de 2030.



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