Missão da ONU na Guiné-Bissau permitiu diálogo entre atores
A representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, Rosine Sori-Coulibaly, afirmou, em entrevista à Lusa, que a missão política das Nações Unidas permitiu o diálogo entre os vários atores guineenses, que deve continuar para que o país avance.
"Isso permitiu que os atores políticos dialogassem, conversassem entre si, porque naquela época, quando veio a missão, não havia diálogo entre as partes", disse a responsável.
A missão política da ONU na Guiné-Bissau foi criada em 1999 na sequência do conflito político-militar.
A missão, agora denominada Gabinete Integrado da ONU para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (Uniogbis), encerra no próximo dia 31 de dezembro, depois de 21 anos no país.
"Pensamos que os fundamentos estão lá. Pensamos que se houver vontade política de todas as partes, se houver vontade de olhar o passado com objetividade e se quiserem podem dizer que têm um só país, que partilham a Guiné-Bissau e que acompanham o país", afirmou.
"Se isto existir, acho que deve avançar porque a questão toda se resume à confiança dos atores e das suas ambições para o país e espero que os atores políticos possam avançar juntos", salientou.
Mas, sublinhou a representante do secretário-geral da ONU, aquele diálogo vai continuar a ser acompanhado através do representante especial das Nações Unidas para a África Ocidental e pelo coordenador residente das agências da ONU no país em coordenação com os restantes parceiros internacionais.
A missão encerra num momento em que a crise política parece estar de regresso ao país, depois de o presidente da Comissão Nacional de Eleições ter afirmado à imprensa, no final de um encontro com o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, ter anunciado a possibilidade de o parlamento ser dissolvido e serem realizadas eleições legislativas antecipadas.