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Missão Pace da NASA vai olhar para saúde da Terra
O planeta Terra está a mudar. Mas sabemos ao certo como está verdadeiramente o “estado de saúde” do nosso mundo? É precisamente com esse propósito que a NASA vai tentar novamente lançar esta quarta-feira a missão PACE - Plankton, Aerosol, Cloud, Ocean Ecosystem.
O lançamento esteve previsto para ontem, mas foi adiado "devido a ventos terrestres que impedem as verificações de pré-lançamento” informou a NASA.
Um olhar clínico sobre o nosso planeta Todos nós já ouvimos e sentimos na pele os efeitos dos fenómenos climáticos extremos que, se por um lado não cai pinga de água durante semanas, por outro surge às vezes de forma torrencial e por vezes destrutiva. Isto para não falar das temperaturas que estão cada vez mais altas durante o ano. Efeitos que fogem ao regular padrão sazonal, com as estações do ano a serem cada vez mais palavras de calendário.
São mudanças no clima que se devem, afirmam os cientistas, ao comportamento humano e às emissões de gazes que todos os dias produzimos, colocando o planeta “doente” e sendo as alterações climáticas os sintomas mais visíveis.
E se nós, quando estamos doentes vamos ao médico e fazemos análises, a NASA quer fazer exatamente o mesmo ao planeta através da missão PACE.
Uma missão espacial que vai analisar os sinais vitais da Terra por meio da observação da saúde dos plânctons, aerossóis, nuvens e oceanos.
Créditos: NASA Goddard
NASA vai fazer um "checkup" à Terra
A missão Pace, de acordo com a NASA, tem como objetivo ampliar e melhorar o registo de mais de duas décadas de observações da biologia oceânica global, bem como das pequenas partículas suspensas na atmosfera e nuvens.
Este novo satélite vai também registar as principais variáveis atmosféricas associadas à qualidade do ar e ao clima da Terra.
Uma das cientistas envolvida nesta missão é a oceanógrafa da NASA Violeta Sanjuan. A investigadora , numa entrevista dada à agência EFE, explicou que este não é mais um satélite de observação terrestre. Fala numa nova fórmula de análise, revolucionária mesmo, porque irá fornecer detalhes do oceano - especialmente das microalgas (fitoplâncton) - de uma forma nunca alcançada antes.
O fitoplâncton - explica Sanjuan - representa apenas um por cento da massa vegetal total do planeta (incluindo terrestre), mas mesmo assim “gera aqueles 50 a 60 por cento do oxigénio” que estão disponíveis no planeta.
“[O fitoplâncton] é altamente eficiente na captura de dióxido de carbono e na liberação de oxigénio, muito mais que as plantas terrestres”, realça.
Esta missão da NASA é realmente única, porque além de analisar detalhadamente o fitoplâncton vai também ao ponto de vista da interação com aerossóis e substâncias suspensas no ar, como explica a cientista espanhola.
“Vamos poder ter uma visão incrível que não tínhamos até agora de como os nossos oceanos se comportam, de como é a atmosfera e como ambos interagem e regulam o nosso clima”.
O revolucionário satélite é composto por três instrumentos: um deles é um sensor que pode identificar até 256 cores no oceano, enquanto as ferramentas anteriores diferenciavam menos de dez tonalidades. “A quantidade de volume de dados é incrível em comparação com o que tínhamos antes”.
Créditos: NASA
A importância de determinar essas tonalidades deve-se ao facto de a cor do fitoplâncton variar de acordo com a sua espécie.
Este organismo [fitoplâncton] é muito importante, não só porque é a base da cadeia alimentar e a origem da vida, mas pela importância que tem para as alterações climáticas, acrescentou Sanjuan.
“Conhecer a saúde dos nossos oceanos é essencial, já que são os pulmões do nosso planeta”, enfatizou a oceanógrafa da missão a trabalhar na Goddard Space Flight Center da NASA, em Greenbelt, Maryland, nos Estados Unidos.
A investigadora espanhola especificou que o satélite voará numa órbita que se move com a Terra e que poderá haver certas regiões do planeta com uma repetição entre um e dois dias, o que ajuda a observar as mudanças dos oceanos e a estudar a evolução destas espécies de fitoplâncton.
Créditos: Odysea LLC
Esta informação é crucial “para as alterações climáticas, para o ciclo do carbono e para a vida do planeta”, apontou.
Segundo a agência, os dados recolhidos pelo PACE vão ajudar os cientistas a entender melhor como o oceano e a atmosfera trocam dióxido de carbono, mas também revelará como os aerossóis podem alimentar o crescimento do fitoplâncton na superfície do oceano. Com essas informações, a NASA poderá identificar a extensão e a duração da proliferação de algas nocivas para o planeta.