Mundo
Missões militares portuguesas "são operações de longa duração"
República Centro-Africana, Iraque e Afeganistão constituem, para as tropas portuguesas envolvidas em missões externas, “operações de longa duração” e devem prosseguir no próximo ano, assinala o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas. Em entrevista à agência Lusa, o almirante António Silva Ribeiro deixa também um apelo a propósito do furto nos Paióis Nacionais de Tancos: não “confundam o Exército” com o que ali aconteceu.
As Forças Armadas portuguesas têm atualmente 215 militares destacados no Afeganistão, sob a bandeira da NATO, outros 193 na República Centro-Africana, integrados na missão da ONU e 52 no Iraque, a operar como formadores na aliança internacional Inheret Resolve, de combate ao Estado Islâmico.O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas
admite que a falta de recursos humanos é maior problema da instituição
militar, defendendo uma melhoria de condições para atrair os jovens.
“São operações de longa duração e por isso não é expectável que, para o próximo ano, haja grandes alterações”, sinaliza o almirante António Silva Ribeiro, a completar um ano como chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA).
Segundo o almirante, trata-se de regiões de conflitos que “vão demorar anos a resolver”, pelo que “é preciso que a comunidade internacional contribua para a sua resolução”.
“Fruto da ação da nossa força de reação rápida há um mês, o principal grupo opositor, UPC, foi para a mesa das negociações e foi assinado um acordo de paz [a 6 de fevereiro], assinalou o CEMGFA, referindo ao grupo armado União para a Paz na República Centro-Africana.
“O país neste momento está estável e desejamos que assim continue e que os órgãos democráticos consigam exercer autoridade e que o Governo da República Centro-Africana consiga ter capacidade para controlar todo o território, mas isso vai demorar tempo e vai ser necessária a permanência das nossas forças”, insistiu.
Do contingente português de 193 efetivos destacado para o país africano, 179 militares formam uma força de reação imediata.
Na entrevista à agência noticiosa, António Silva Ribeiro refere-se ainda ao dossier do braço militar da União Europeia. O almirante considera “essencial que os países europeus desenvolvam capacidades militares”, mas evitando a “duplicação” com a Aliança Atlântica.
“Tudo o que se fizer” neste capítulo no seio da União Europeia deve ter, nas palavras do almirante, “utilidade para a NATO”.
“Ainda vai levar tempo até que a União Europeia tenha uma capacidade de resposta militar como tem a NATO. A NATO tem um ator essencial que são os EUA, com um potencial diferenciador, com o que investem em investigação e desenvolvimento, a edificação das capacidades, é incomparável com qualquer outro país do mundo e portanto a NATO é que é verdadeiramente a aliança militar estruturante da defesa euroatlântica, da qual a Europa faz parte”, acentua.
“Não se confunda Exército com Tancos”
Sobre o caso dos Paióis Nacionais de Tancos, o CEMGFA deixa um apelo para que “não se confunda o Exército” com o furto.
Silva Ribeiro defende ajustes à proposta de Lei de Programação Militar de modo a enquadrar a modernização de fragatas da Armada.
“Não é aceitável que qualquer pessoa possa entrar numa instalação militar e roubar armas ou munições ou outro tipo de artefactos. Tendo-se isso verificado, agora é um problema da justiça averiguar quem é que cometeu aquele assalto”, sustenta o almirante, que, à data do furto, era chefiava o Estado-Maior da Armada.
“Tancos foi um acidente inaceitável mas as Forças Armadas e o Exército não são Tancos”, frisa, para reconhecer que houve sinais de quebra de confiança nas Forças Armadas por parte dos cidadãos.
“Nós não podemos de forma alguém encarar o problema de Tancos como uma questão global no Exército e nas Forças Armadas. Se queremos perceber o que é o Exército e as Forças Armadas olhemos para a República Centro-Africana, cumprem missões com grande patriotismo, com grande coragem”, contrapõe.
“É absolutamente injusto algumas coisas que eu tenho ouvido acerca do nosso querido Exército, que é feito de homens e de mulheres extraordinárias que têm um brio, um orgulho em servir o país e fazem-no com competência e relevância, esse tipo de apreciações injustíssimas que são feitas ao Exército devem ser refutadas pelos cidadãos, isso não é merecedor de qualquer credibilidade”, enfatizou.
As Forças Armadas, estimou também o almirante Silva Ribeiro, estão hoje “perfeitamente inseridas no regime democrático e há, da parte dos chefes militares uma profunda lealdade para com os decisores políticos”.
“São operações de longa duração e por isso não é expectável que, para o próximo ano, haja grandes alterações”, sinaliza o almirante António Silva Ribeiro, a completar um ano como chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA).
Segundo o almirante, trata-se de regiões de conflitos que “vão demorar anos a resolver”, pelo que “é preciso que a comunidade internacional contribua para a sua resolução”.
“Fruto da ação da nossa força de reação rápida há um mês, o principal grupo opositor, UPC, foi para a mesa das negociações e foi assinado um acordo de paz [a 6 de fevereiro], assinalou o CEMGFA, referindo ao grupo armado União para a Paz na República Centro-Africana.
“O país neste momento está estável e desejamos que assim continue e que os órgãos democráticos consigam exercer autoridade e que o Governo da República Centro-Africana consiga ter capacidade para controlar todo o território, mas isso vai demorar tempo e vai ser necessária a permanência das nossas forças”, insistiu.
Do contingente português de 193 efetivos destacado para o país africano, 179 militares formam uma força de reação imediata.
Na entrevista à agência noticiosa, António Silva Ribeiro refere-se ainda ao dossier do braço militar da União Europeia. O almirante considera “essencial que os países europeus desenvolvam capacidades militares”, mas evitando a “duplicação” com a Aliança Atlântica.
“Tudo o que se fizer” neste capítulo no seio da União Europeia deve ter, nas palavras do almirante, “utilidade para a NATO”.
“Ainda vai levar tempo até que a União Europeia tenha uma capacidade de resposta militar como tem a NATO. A NATO tem um ator essencial que são os EUA, com um potencial diferenciador, com o que investem em investigação e desenvolvimento, a edificação das capacidades, é incomparável com qualquer outro país do mundo e portanto a NATO é que é verdadeiramente a aliança militar estruturante da defesa euroatlântica, da qual a Europa faz parte”, acentua.
“Não se confunda Exército com Tancos”
Sobre o caso dos Paióis Nacionais de Tancos, o CEMGFA deixa um apelo para que “não se confunda o Exército” com o furto.
Silva Ribeiro defende ajustes à proposta de Lei de Programação Militar de modo a enquadrar a modernização de fragatas da Armada.
“Não é aceitável que qualquer pessoa possa entrar numa instalação militar e roubar armas ou munições ou outro tipo de artefactos. Tendo-se isso verificado, agora é um problema da justiça averiguar quem é que cometeu aquele assalto”, sustenta o almirante, que, à data do furto, era chefiava o Estado-Maior da Armada.
“Tancos foi um acidente inaceitável mas as Forças Armadas e o Exército não são Tancos”, frisa, para reconhecer que houve sinais de quebra de confiança nas Forças Armadas por parte dos cidadãos.
“Nós não podemos de forma alguém encarar o problema de Tancos como uma questão global no Exército e nas Forças Armadas. Se queremos perceber o que é o Exército e as Forças Armadas olhemos para a República Centro-Africana, cumprem missões com grande patriotismo, com grande coragem”, contrapõe.
“É absolutamente injusto algumas coisas que eu tenho ouvido acerca do nosso querido Exército, que é feito de homens e de mulheres extraordinárias que têm um brio, um orgulho em servir o país e fazem-no com competência e relevância, esse tipo de apreciações injustíssimas que são feitas ao Exército devem ser refutadas pelos cidadãos, isso não é merecedor de qualquer credibilidade”, enfatizou.
As Forças Armadas, estimou também o almirante Silva Ribeiro, estão hoje “perfeitamente inseridas no regime democrático e há, da parte dos chefes militares uma profunda lealdade para com os decisores políticos”.